revista Memorias do Instituto Oswaldo Cruz

Na edição de agosto da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, pesquisadores destacam a relevância do esclarecimento da morte de pacientes em casos suspeitos de chikungunya e outras arboviroses para a vigilância epidemiológica dessas doenças. A publicação também traz resultados de uma pesquisa sobre a hepatite B que revela forte associação da contaminação entre familiares para o surgimento de novos casos no Sul do país e, ainda, um estudo sobre o impacto da transmissão da doença de Chagas na Venezuela pelas formas alimentar e vertical (da mãe para o bebê). Os artigos publicados na revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz podem ser acessados gratuitamente online.

Chikungunya: estudo alerta sobre mortes relacionadas ao vírus

Diferentes estudos colocam em cheque a visão de baixa letalidade atribuída ao vírus chikungunya. Um desses alertas é feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Universidade Federal do Ceará e da Faculdade São Leopoldo Mandic, de Campinas (São Paulo). Os especialistas destacam medidas que podem melhorar o processo de investigação e confirmação das mortes por chikungunya e outras arboviroses, como a utilização de bases de dados e protocolos específicos para o atendimento médico em casos suspeitos. Relatórios do Ministério da Saúde revelam que, em 2016, foram registrados mais de 270 mil casos de chikungunya no Brasil, tendo sido confirmados cerca de 200 óbitos ligados ao vírus. No Brasil, a transmissão autóctone de chikungunya foi detectada simultaneamente, em setembro de 2014, em Feira de Santana, na Bahia, e em Oiapoque, no Amapá. A prematuridade na organização e sistematização das informações e evidências científicas sobre a história da febre chikungunya no país torna ainda mais relevante a vigilância das taxas de mortalidade. Fatores como o alto número de indivíduos suscetíveis (vulneráveis à infecção) e a ampla disseminação do principal vetor do vírus chikungunya pelo país, o mosquito Aedes aegypti, podem levar a doença a alcançar grandes proporções. Acesse a publicação

Fatores de risco para a transmissão da hepatite B

Compartilhamento de objetos pessoais, transfusão de sangue e caso de infecção na família foram os principais fatores de risco associados à transmissão do vírus da hepatite B em pacientes de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, de acordo com estudo conduzido por pesquisadores das universidades Luterana do Brasil, de Canoas (RS) e de Caxias do Sul (UCS) e pelo Serviço Municipal de Infectologia do município gaúcho. Cidades da região Sul do Brasil apresentam taxas de prevalência da doença superiores à média do país. Um dos resultados mais relevantes da investigação aponta forte associação entre a infecção por hepatite B e a ocorrência da doença em membros da família (mãe, pai e irmãos), o que sugere que a contaminação intrafamiliar representa um papel fundamental na transmissão do vírus. Mais de 500 pessoas participaram da pesquisa. Doença silenciosa, a hepatite B pode ser prevenida por meio da vacinação. Para reduzir os riscos de contágio, além do uso de preservativo nas relações sexuais, é recomendado evitar o compartilhamento de objetos de uso pessoal como barbeadores e alicates de unha. Leia o artigo completo

Chagas: transmissão vertical na Venezuela

Entre os dez artigos publicados nesta edição, está um estudo em que pesquisadores da Venezuela, chamam a atenção para a importância das transmissões alimentar e vertical da doença de Chagas no país. O caso investigado pelos especialistas envolve a morte de um feto com 24 semanas de gestação. Análises do líquido amniótico e de amostras dos órgãos revelaram a presença do Trypanosoma cruzi, causador do agravo. Segundo a pesquisa, embora tenha sido negligenciada no país durante décadas, a transmissão vertical da doença de Chagas apresenta um papel relevante para a manutenção de casos da infecção. O estudo aponta mudanças no perfil epidemiológico da doença e indica a ingestão inadvertida de alimentos contaminados com T. cruzi como a via de infecção predominante em gestantes. O artigo sugere, ainda, a ocorrência de um surto da doença de Chagas transmitida por via oral na Venezuela. Confira o estudo completo.

Lucas Rocha
IOC/Fiocruz

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