Laboratório da Fiocruz Paraná

Referência para o Ministério da Saúde em vírus emergentes e re-emergentes na região Sul do país, o Laboratório de Virologia Molecular do Instituto Carlos Chagas (Fiocruz Paraná) foi responsável pela confirmação da circulação do vírus da febre amarela no estado, no mês de janeiro de 2019, por meio da investigação realizada no material biológico de dois macacos, encontrados em Antonina e mortos em função da doença. Na tarde da última terça-feira (29/1), a equipe confirmou um caso humano da doença vindo da mesma região.

Chefe do Laboratório, a virologista Cláudia Nunes Duarte do Santos, alerta para a importância da imunização. “Neste momento, é imprescindível que as pessoas procurem o posto de saúde mais próximo e se vacinem contra a doença. Com a confirmação da circulação do vírus em uma região turística, muito visitada no Paraná, é preciso estar atento para prevenir”, ressalta a pesquisadora.

Cláudia ainda chama atenção para o fato de que os macacos são aliados e não vilões no enfrentamento da doença. “Os macacos funcionam como sentinelas, não transmitem a doença e auxiliam na identificação de locais por onde o vírus está circulando. Sem a investigação do material biológico desses animais, não poderíamos ter confirmado a circulação do vírus. Além do mais, é preciso preservar esse material para que a verificação seja feita”, esclarece.

Combatida por Oswaldo Cruz no início do século 20 e erradicada dos grandes centros urbanos desde 1942, a febre amarela voltou a assustar os brasileiros registrando mais de 2 mil casos do tipo silvestre nos último dois verões no país, o triplo registrado entre os anos de 1980 e 2015. No Paraná, o mais recente boletim da Secretaria de Estado da Saúde foi divulgado em julho de 2018 e registrava dois casos confirmados da doença, ambos importados. “A febre amarela já é uma preocupação em várias regiões do país. Aqui no Paraná, com a confirmação da morte desses animais pelo vírus, é preciso redobrar o cuidado. Continuamos trabalhando para identificar possíveis surtos e acompanhado a circulação do vírus. Neste momento estamos recebendo uma quantidade grande de material para analisar”, conclui Cláudia Nunes Duarte dos Santos. 

Fiocruz Paraná como protagonista na área de virologia

Único atuando como referência na região Sul do país, o Laboratório de Virologia Molecular da Fiocruz Paraná participa de forma significativa do esforço empregado no desenvolvimento de pesquisas relacionadas à vírus emergentes e re-emergentes no país. O grupo foi responsável pela confirmação, através do sequenciamento do genoma viral, em maio de 2015, da presença do zika em oito amostras humanas vindas do Rio Grande do Norte. Em 2016, a equipe divulgou resultados de uma pesquisa que reforçou a relação entre o vírus e as más-formações congênitas. No estudo da febre chikungunya, o Laboratório de Virologia foi responsável pelo isolamento do vírus, pela primeira vez amostras humanas.

Fiocruz Paraná

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