grupo de funk carioca Dream

Um ano depois do início da epidemia do vírus zika no Brasil, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA/ONU), em parceria com a Fiocruz e outras instituições, lançou a campanha nacional Mais Direitos, Menos Zika, que coloca as pessoas no centro da resposta ao vírus, com um enfoque de direitos humanos. A campanha promove o acesso à informações, insumos e serviços de qualidade, visando diminuir os riscos de infecção e, consequentemente, microcefalia e outras doenças neurológicas associadas ao vírus zika.

O lançamento oficial da campanha Mais Direitos, Menos Zika aconteceu no âmbito do 1º Simpósio Internacional de Saúde da População Negra (de 15 a 17 de novembro), em Porto Alegre, com o objetivo de fortalecer a implementação da Política Nacional de Saúde da População Negra, além de ampliar a discussão em âmbito internacional. A epidemia de zika tem afetado grande número de mulheres afrodescendentes que vivem ou trabalham em municípios e territórios com maior vulnerabilidade socioambiental e infraestrutura precária.   

A cerimônia foi aberta pelo representante-adjunto do UNFPA, Yves Sassenrath, que lembrou que o vírus zika não se trata somente de uma emergência de saúde pública mas, antes de tudo, de uma emergência social. Por essa razão, o Fundo e seus parceiros colocam as pessoas no centro da resposta. “A epidemia levantou muitas questões sobre o saneamento, o acesso a informação e a disponibilidade de serviços de saúde. O impacto social dessas epidemias exige uma mobilização nacional para proteger os direitos fundamentais de mulheres, jovens e adolescentes em situação de vulnerabilidade”, afirmou Yves Sassenrath.

O UNFPA aproveitou a ocasião para apresentar os materiais de comunicação da campanha que, a partir de agora, começam a estar disponíveis nos municípios de todos o país e que incluem folhetos, cartazes e vídeos testemunhais. A campanha #EuQueroMaisDireitosMenosZika estará também na mídia, incluindo mídias sociais, para alcançar o maior número de pessoas em todo o país.

Além da Fiocruz, a iniciativa da UNFPA conta com a parceria da Organização Pan-Americana da Saúde / Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS), da ONU Mulheres, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese), além de entidades parceiras da sociedade civil; a ação tem ainda o apoio do Departamento de Desenvolvimento Internacional do governo Britânico (DFID, na sigla em inglês), do governo do Japão e do Corpo Internacional de Resposta Civil (Canadem).

A cerimônia de lançamento contou com apresentação ao vivo do grupo de funk carioca Dream Team do Passinho, que desde julho se associou ao UNFPA na resposta ao vírus zika tendo criado e produzido a música Mais Direitos, Menos Zika. Segundo a música, “a culpa não é só do mosquito / então cuide de quem você ama/ use o preservativo / não leve a zika para a cama”, alertando para o risco de transmissão do vírus pela via sexual e para a necessidade de usar camisinha mesmo durante a gravidez, além de se evitar as picadas de mosquito. No evento, o grupo sublinhou a importância da ação da campanha nas comunidades vulneráveis do Brasil. “A gente fez a música para contribuir com a nossa galera que é a galera da favela, a galera da periferia. A gente tem que se cuidar, se prevenir, não só a mulher como também o casal. E a gente, como jovens negros, está aqui junto com o UNFPA para continuar trabalhando”, disse a cantora e atriz Lellêzinha.

A campanha

A campanha Mais Direito, Menos Zika reúne parceiros estratégicos para uma resposta consolidada no combate ao zika em todo o país. Oferece uma ampla variedade de materiais informativos, incluindo folhetos, cartazes, vídeos, spots de rádio e postagens para mídias sociais, entre outros, com mensagens direcionadas a vários perfis de público – mulheres em idade reprodutiva (15 a 49 anos) grávidas e não grávidas, adolescentes, homens adultos e jovens – e trata das principais questões relacionadas ao vírus e seus desdobramentos.  

O conceito da campanha está baseado na premissa de que o direito das mulheres e famílias em decidir livremente sobre a sua vida reprodutiva é um direito humano fundamental, mesmo no contexto da epidemia de zika. Isso significa que as mulheres que não estão grávidas e desejam adiar a gravidez neste momento devem ter as informações e os meios para fazê-lo, assim como as mulheres que estão grávidas ou desejam engravidar devem ter as informações e o apoio necessário para prevenir uma possível infecção por zika e suas consequências, inclusive por transmissão sexual. Os homens, por sua vez, são estimulados à  corresponsabilização em evitar a gravidez não planejada e participar ativamente do cuidado dos filhos, sobretudo nos casos em que há diagnóstico de malformações congênitas, como microcefalia.

Os materiais foram desenvolvidos a partir da experiência junto à população e do contato com suas necessidades, resultado do trabalhando realizado ao longo do ano pelo UNFPA em parceria com organizações da sociedade civil, centros de ensino e pesquisa, e instituições governamentais de saúde e de políticas para as mulheres em algumas das áreas mais afetadas pela epidemia, especialmente em Recife (PE) e Salvador (BA).

O UNFPA e seus parceiros esperam que os materiais informativos da campanha Mais Direitos, Menos Zika alcancem os serviços e unidades de saúde de todo o país durante as próximas semanas. A campanha estará nas ruas e, através da TV e do rádio, nas casas de todos os brasileiros. 

Os materiais estão também disponíveis no site da campanha: www.maisdireitosmenoszika.org

Tatiana Almeida
UNFPA/ONU

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