Artigos

Heitor M. Pasquim e Cassia B. Soares

Existe uma série de falsas concepções que cercam o consumo de drogas, entre elas, a oposição entre o uso de drogas e a prática de atividade física e esportiva. Essas concepções estão de maneira muito disseminada na base de ações, programas e políticas preventivistas, que buscam implícita ou declaradamente substituir drogas por esporte. Um exemplo disso é a corrida Droga Mata & Esporte Salva, realizada na cidade de São Paulo há mais de dez anos.

Para essa falsa oposição, a prática de atividades físicas e esportivas seria capaz de predizer e proteger os jovens contra o risco de uso de drogas.   Frequentemente se dissemina que aqueles que são diagnosticados com – ou são acusados de

Tibor Rabóczkay

A crítica, de ninguém menos que o governador do Estado de São Paulo às universidades públicas, cuja pesquisa seria “inútil”, trouxe-me à lembrança uma vivência pessoal da fase média da carreira. Uma amiga funcionária me perguntou “afinal, que descoberta importante vocês pesquisadores já fizeram no IQ?”. Expliquei-lhe que a pesquisa fundamental, ou pura, visa ao conhecimento e não necessariamente à aplicação.

Até usei a alegoria, que ouvi numa conferência na Protap, na FEA, de que é como a pesquisa pura preencher de conhecimento um “tanque”, no qual quem estiver interessado em aplicação achará a informação que necessita e lhe será útil. O olhar dela me deixou na dúvida se a convenci.

O incidente, porém, me

Maurício Antônio Lopes

O matemático e filósofo britânico Bertand Russell, um dos mais influentes pensadores do século XX, dizia que o maior problema do mundo moderno é que as pessoas preparadas e capazes estão sempre cheias de dúvidas, enquanto as desinformadas e incapazes estão sempre cheias de certezas. Incômodo semelhante sentia o escritor Umberto Eco, que não escondia irritação com o uso cada vez mais descuidado de um dos grandes avanços da humanidade, a internet. Com fino humor, ele dizia que, antes das redes sociais, os “tolos da aldeia’’ tinham direito à palavra "em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade". E concluía que “o drama da internet é que ela pode

Jurandir Renovato

Para Eliete Negreiros

Algumas pessoas são como camaleões literários. O Paulão, por exemplo. Depois que leu Alta fidelidade, do Nick Hornby, por um tempo ficou difícil não dividir qualquer coisa em cinco categorias: os cinco melhores livros, os cinco melhores discos, os cinco melhores isto ou aquilo. Tal qual o protagonista do romance que virou filme com John Cusack no papel principal, ele não conseguia acender um cigarro sem pensar nas cinco melhores tragadas que dera na vida.

Ficou tão viciado nisso que chegou a cometer uma imprudência. Numa mesa de amigos, supostamente longe dos filhos (e das mães deles), propôs uma relação das cinco melhores mulheres com quem eles, homens cujas esposas supostamente não

Iva Gurgel

Nos dias 13 e 14 de novembro o Centro Interunidades de História da Ciência (CHC), em parceria com o Instituto de Estudos Avançados (IEA), realizará o Simpósio USP de História da Ciência e da Tecnologia: Construindo Diálogos Interdisciplinares. O evento busca reunir pesquisadores interessados em História das Ciências que trabalham em diferentes unidades da USP para compartilhar seus trabalhos e suas reflexões. Neste momento, então, pode ser válido questionar: Qual a importância da História das Ciências para o conjunto da Universidade?

As diferentes áreas do conhecimento adquiriram, ao longo dos anos, características muito próprias. Cada disciplina carrega em si uma epistemologia, que se manifesta em suas formas de interpretar o mundo, na linguagem desenvolvida

Facebook

Já se discute até certo ponto a prática de diversas empresas que prestam serviços na Internet de coletar os dados de seus usuários de maneira massiva, para que depois possam utilizá-los na otimização da exibição de propagandas e sugestões em suas plataformas, de um modo que elas estejam mais alinhadas com o perfil de cada um. Isso se tornou uma máxima replicada por toda a rede.

Por consequência, isso permite que serviços como Facebook e Google cobrem mais de cada anunciante, já que eles tem a possibilidade de conectar produtos que empresas querem vender com os interesses de potenciais compradores. Em tese, essa é a contrapartida recebida pela prestadora de serviços em troca do produto

Jean Pierre Chauvin

A Universidade de São Paulo está a celebrar um feito digno de nota. Refiro-me aos trabalhos finalistas do Jabuti, em sua edição mais recente, divulgados na imprensa em 31 de outubro deste ano. Criado em 1958, o prêmio coloca em relevo obras, autores e projetos editoriais, de diversas áreas do conhecimento, produzidos em várias modalidades e suportes (impresso e digital).

Não se trata de mera formalidade, tampouco de acontecimento restrito aos pressupostos e sendas do mercado editorial; mas do louvável registro de obras que se destacaram no cenário cultural brasileiro. A questão é muito relevante, tendo em vista as estatísticas recentes, que sugerem a persistência de um reduzido quadro de leitores, em nosso país.

Também

Vamos Ler

Questões de gênero, como os ideais de “homem” e “mulher”, seus papéis sociais, as relações com o trabalho, a emancipação feminina e a modernidade tinham destaque na imprensa nas décadas de 1930 e 1940. Em busca de aconselhamento e orientação relacionados a conflitos íntimos, leitores enviavam cartas à revista de variedades Vamos Ler!, demonstrando nelas a sua compreensão do que era ser normal. Nas cartas, homens e mulheres traziam à tona uma diversidade de trajetórias de vida e lugares de fala que, em sua subjetividade, nem sempre dialogavam com o que os médicos defendiam como “normal”.

Para investigar como a normalidade, enquanto categoria da medicina mental, circulava entre a população leiga, Carolina da Costa

Marisa Midori Deaecto

“A família Ribeiro vive em um sítio, onde planta cana-de-açúcar.

Toda a produção de cana-de-açúcar do sítio dessa família é vendida para uma fábrica da cidade.

Na fábrica, a cana-de-açúcar é transformada em açúcar.

O açúcar consumido na casa da família Ribeiro é fabricado, na cidade, com a cana-de-açúcar plantada no próprio sítio da família Ribeiro”.

(Buriti – Geografia, 3. Organizadora: Editora Moderna. Obra coletiva, concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna. São Paulo: Editora Moderna, 2013, p. 105.)

Triste paisagem

Daqui a alguns anos com um pouco mais de sorte e se o livro didático assim o permitir, a mesma criança que passou por esse capítulo será introduzida em uma outra realidade socioeconômica: a

Gutemberg Medeiros

Pode-se afirmar que o dia 7 de julho de 1961 ficou marcante para a história do teatro brasileiro, quando se deu a estreia da peça O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues.  Além de ser uma de suas principais obras dramatúrgicas, nesta estreia o autor conseguiu praticamente calar a plateia lotada do tradicional Teatro Ginástico. Provavelmente caso isolado em vida do dramaturgo, pois o comum eram suas peças serem recebidas com aplausos, chegando a urros, vaias e até palavras de calão aos berros.

Escrita para o Teatro dos Sete, a primeira montagem histórica foi dirigida por Gianni Ratto e teve grande elenco com Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Sérgio Britto, Mário Lago, Zilka Salaberry, Italo Rossi,

Deserto

Desertos são compostos de uma infinidade de diversidade, demonstrando a capacidade da natureza de autoorganização. A sua vegetação, os componentes rochosos em montes, montanhas, dunas e no solo, além da vida que ali se adaptou, completam tal complexo cenário. Em particular, o solo dos desertos me chamou a atenção desde que fiz a primeira viagem ao deserto do Saara, no norte da África.

A areia do Saara é desenhada a partir dos ventos que a sopram. Esse é um caso particular de quando um fluido (o ar) desliza sobre um material sedimentado (a areia). O ar é responsável por formar padrões na areia e, na maioria dos casos, o padrão formado são riscos que