Artigos

crise na APS

Os pesquisadores do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (Daps) da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Eduardo Alves Melo, Maria Helena Magalhães de Mendonça e Márcia Teixeira publicaram um artigo, na plataforma Scielo, sobre a crise na atenção primária do sistema público de saúde da cidade do Rio de Janeiro. Para explicar melhor os temas abordados, o artigo faz uma apresentação sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), explica o contexto da situação do Rio de Janeiro na demora da expansão da Estratégia de Saúde da Família e problematiza os aspectos que se intensificam devido à recente crise financeira do município, o que, segundo o artigo, afeta a sustentabilidade do sistema de saúde da

Novos conhecimentos

Produzir alimentos, fibras e energia para atender as necessidades da população é um dos desafios da agricultura. Logicamente, esta produção precisa ser sustentável sob o ponto de vista econômico, social e ambiental. Não sendo atendido um dos três pilares da sustentabilidade, a atividade não é efetivamente sustentável. Por esse motivo, é cada vez maior o desafio para aqueles que estão direta ou indiretamente envolvidos com a produção agrícola em qualquer parte do mundo. 

Em ambiente tropical, como é o caso do Brasil, este desafio é ainda maior. Plantas daninhas, fungos, vírus e bactérias que atacam as plantas cultivadas encontram condições ótimas para crescerem e se desenvolverem. Portanto, a sua capacidade de causar dano econômico é

Cláudio Amaral Junior

O ano era 1985, Cláudio passara algumas noites em “inferninhos” de Copacabana. Alba amargurada, insone em casa? Não. O objetivo era procurar parceiros de casos diagnosticados com Aids e levantar informações básicas sobre as práticas sexuais, em particular, de homens homossexuais. Chamávamos isso de “investigação epidemiológica”. Alguns dos gays que praticavam o comércio sexual tinham cinco ou mais parceiros por noite. Esses locais eram frequentados também por estrangeiros, inclusive mariners americanos.

O assunto era quente e, depois de uma coletiva, a TV Globo quis a tradicional exclusiva. E disparou a pergunta se a Aids podia ser transmitida por contato pessoal, não sexual. “E beijo transmite?”. Ao dizer “não”, “beijar pode”, o cinegrafista fez um close

tabagismo

“Há 1,1 bilhão de fumantes no mundo e cerca de 4 em cada 5 vivem em países de baixa e média rendas. Principal fator de risco de morte por doenças crônicas não transmissíveis, o tabagismo é o responsável por seis milhões de óbitos ao ano”. A informação de alerta vem de um artigo publicado no Cadernos de Saúde Pública, revista científica da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). De autoria dos pesquisadores Marcia Pinto, Ariel Bardach, Alfredo Palacios, Aline Biz, Andrea Alcaraz, Belen Rodriguez, Federico Augustovski e Andres Pichon-Riviere, o artigo intitula-se Carga do tabagismo no Brasil e benefício potencial do aumento de impostos sobre os cigarros para a economia e para a redução de

Previdência Social

"O Brasil, em comparação com o Chile, se caracteriza por maiores taxas de informalidade laboral, desigualdades socioeconômicas, expectativa de vida mais baixa e heterogênea". Esse perfil descrito em um artigo do Cadernos de Saúde Pública (CSP) alerta para os efeitos de uma reforma da previdência, como a defendida pelo Governo Bolsonaro, que orientada "pela austeridade e argumentos contábeis falaciosos, pode ser trágica para as próximas gerações".

No artigo, Reformas da Previdência Social no Chile: lições para o Brasil, publicado no CSP de maio, os autores Suelen Carlos de Oliveira (Universidade do Grande Rio), Cristiani Vieira Machado (Fiocruz) e Aléx Alarcón (Universidade do Chile) Hein defendem que uma reforma da previdência deveria ser orientada para consolidar um sistema

Luiz Roberto Serrano

Na comemoração dos 70 anos da Revolução Chinesa, neste último dia 1º de outubro, o noticiário, aqui no Brasil, concentrou-se na enorme pompa e grandiosidade da demonstração do poderio bélico do país no desfile presidido pelo todo-poderoso Xi Jinping em contraste com a forte repressão policial às manifestações libertárias em Hong Kong, que ainda resiste ao autoritarismo do regime de Pequim.

Como registro, a contraposição valeu, mas nem de longe ilumina toda a complexidade que envolve a evolução da China de uma economia agrária anêmica e esfacelada para, em 70 anos, transformar-se na segunda economia do mundo, ameaçando tomar a liderança norte-americana nas próximas décadas. É sempre bom lembrar que no próximo dia 3 de

Elza Maria Ajzenberg

Cientista, artista, mestre do Renascimento, Leonardo da Vinci (Anchiano, 15 de abril de 1452 – Amboise, 2 de maio de 1519) abriu horizontes do conhecimento. Pesquisou e criou sem limites – de máquinas voadoras à anatomia humana. Estudou o céu e a terra. Dedicou-se às conexões entre a arte e as ciências da natureza. Passados 500 anos do seu falecimento, as contribuições de Leonardo não cessam de atingir o homem contemporâneo.

Sua trajetória tem sido alvo de vários estudos e publicações. É sabido que nasceu em Anchiano/Vinci, perto de Florença, filho de Piero da Vinci e de uma camponesa – Catarina Lippi. Seu pai era um homem próspero, atuou como tabelião para diversos mosteiros, ordens

Alvair Silveira Torres Junior

Muito tem sido escrito e falado sobre a reforma da Previdência como solução de todos os males que assolam a economia brasileira. O projeto enviado também parece se revestir com a aura de única via, quando, à luz dos modelos de processo decisório, a boa prática na solução de problemas recomenda examinar mais de uma alternativa nos casos estratégicos e de grande impacto. Se imaginarmos a sociedade e seus representantes no Congresso Nacional como instância de decisão no sistema de governança do País, assim como o Conselho de Administração de uma empresa, algumas alternativas de reforma deveriam ser apresentadas e discutidas antes de uma proposta específica.

A cultura participativa, entretanto, ainda está em fase embrionária

SUS

O periódico científico The Lancet publicou artigo sobre o processo de implementação e expansão do Sistema Único de Saúde (SUS). Liderado por um grupo de pesquisadores da Universidade de Harvard, o artigo Sistema Único de Saúde do Brasil: os primeiros 30 anos e as perspectivas para o futuro teve também a participação da pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) Ligia Giovanella, que contribuiu na análise sobre a caracterização do SUS e a organização da Atenção Primária em Saúde ao longo desses anos. “O artigo deixa claro que o SUS contribuiu para melhorar a saúde e o bem-estar da população brasileira, além de reduzir as iniquidades e desigualdades em saúde, mas traz uma

Jorge Bermudez

A agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos, FDA, acaba de aprovar o medicamento mais caro do mundo. Para tratar uma criança com Atrofia Muscular Espinhal (AME), a voracidade da indústria farmacêutica não tem limites e o tratamento vai custar nada menos que 2,1 milhões de dólares, com o mais recente lançamento da terapia genética, o Zolgensma. Cada vez mais, as grandes empresas farmacêuticas compram pequenas indústrias e seu portfólio de produtos e tentam recuperar esses investimentos em pouco tempo, estabelecendo preços fictícios, que não correspondem aos custos reais.

Há uma diferença muito grande entre custos e preços. Mais grave do que isso, existem exemplos de produtos desenvolvidos em universidades norte-americanas com cessão

Jean Pierre Chauvin

De tempos em tempos, nós, que pesquisamos e discorremos sobre objetos relacionados à cor, ao som e à forma, precisamos vir a público para desdizer medidas estreitas e reafirmar o papel das humanidades, ou ciências humanas, ou soft sciences, perante um mundo cada vez menos favorável à diversidade e cada vez mais standard, como supuseram Herbert Marcuse e Edgar Morin[1], entre as décadas de 1960 e 1970. Decorre daí a ironia máxima: os terráqueos ocupam hemisférios metrificados, mas sem maior espaço para a poesia, o exercício da sensibilidade e a reflexão. Na hipervalorizada Era da Comunicação, cabe um pouco de quase tudo; porém anda bem menor a preocupação com a linguagem.

Isso talvez aconteça porque