Monólogo Diana

Dias 31 de outubro e 1 de novembro, quinta-feira e sexta-feira, às 20h, acontece o monólogo Diana do Ágora Teatro na sede do grupo Refinaria Teatral, na zona norte de São Paulo, duas únicas apresentações. A direção é de Rudifram Pompeu. Celso Frateschi atua e assina o texto do monólogo. Grátis !

Sinopse: A história acontece na cidade de São Paulo no final dos anos sessenta. É a saga de um professor de idiomas de um colégio da periferia descrente e cansado das palavras das pessoas e prefere conversar com as coisas. Traído pela mulher, só dá crédito ao que dizem os inanimados. Sai de casa e se apaixona pela escultura Saindo do Banho, de Victor Brecheret, instalada no Largo do Arouche, a quem batiza de Diana. O enredo prossegue quando o nosso “herói” é sequestrado por agentes da polícia paramilitar da ditadura, confundido com um militante de esquerda. A peça se concentra nesse curto momento em que ele se encontra no cativeiro, para ele um não lugar, onde busca entender o seu desentendimento. Em oito cenas curtas, o personagem revive suas crenças, suas paixões, seus sonhos e seus delírios.

Texto de Celso Frateschi: “Diana nos traz perguntas que remetem à nossa vida e ao nosso mundo. O que nos faz desentender o óbvio que se torna mistério, ao nos isolarmos em nossa ignorância?   O que leva o cidadão à apatia e a alienar-se do convívio humano? O que faz uma criatura entregar sua existência àquilo e àqueles que o oprimem? O que causa o desinteresse pelo outro? O que é capaz de quebrar a nossa empatia pelo semelhante? O que nos faz esquecer daquilo e daqueles que revelam verdades que nos incomondam ? Na ditadura, 453 foram identificados como mortos e desaparecidos. Quantos são desaparecidos e esquecidos. Hoje no Rio de Janeiro são mortos cinco pobres por dia pelas forças policiais. O nosso cenário criado por Sylvia Moreira, presta uma homenagem a todos eles. Diana nos remete ao homem contemporâneo e procura revelar nosso personagem de múltiplos ângulos. É o humano que nos interessa em primeiro lugar e extamente por isso, nao tem a pretensão de respostas, mas de formular boas perguntas.

“... fôssemos infinitos tudo mudaria /

como somos finitos muito permanece...” B. Brecht

O verso nos inspira a manter o foco e o material da pesquisa, por vezes, até além do limite para que possamos atingir as mais diversas camadas dos seus significados.   Acreditamos que, nesses tempos ditados pelas aparências, a busca para se compreender as estruturas pessoais e sociais que nos movimentam e nos definem pode nos entreter e mesmo nos divertir. 

Diana foi a primeira peça produzida pelo Ágora Teatro em 1999 e na época teve a direçao de Roberto Lage. Ela já tinha sido montada duas outras vezes, primeiro com Cassio Scapin e depois com Angelo Brandini. Essa nova versão tem o texto original bastante transformado, e mergulha ainda mais na personagem e na história buscndo aperfeiçoar a dramaturgia e potencializar o espetáculo. Nessa nova montagem procuramos criar signos que instiguem o espectador a se emocionar, a se divertir e a construir conosco uma  reflexão  sobre o ser humano e suas relações com os outros e com o planeta.

O grupo Refinaria Teatral, núcleo da Cooperativa Paulista de Teatro, é um teatro de treinamento que pesquisa e desenvolve técnicas extraídas da arte marcial Karatê-do. Essa investigação prática gera um estilo particular de comunicação e efeito cênico que hiperpotencializa a presença cênica do ator, expandindo e retendo a energia corpórea, gerando cenas, ações e personagens arquétipos de simbologia crítica. A grande produção de energia corporal sobre controle do ator, que os trabalhos revelaram ao longo dos anos, geram um magnetismo potente que traz o espectador para dentro da obra. Recursos de ação que saíram dessa investigação, como a ação fotográfica e o ator fragmentado estimula o criativo, o reflexivo do espectador fazendo com que ele crie junto com a obra, o espectador-criador. Chamamos essa investigação, trabalho pilar do grupo Refinaria e que está em constante desenvolvimento, de Teatro Marcial.

As pesquisas contínuas sobre o trabalho de Jerzy Grotowski, Meyerhold, Tadeusz Kantor, Antonin Artaud, Eugenio Barba e o teatro oriental sustentam e alimentam o trabalho desenvolvido pelo grupo, que visa o refinamento constante das ferramentas do principal elemento do teatro: o ator. Em nossas obras discutimos as distintas temáticas da situação de opressor e oprimido, buscando quebrar paradigmas e comodismos.

O grupo surgiu em 2008 e já se apresentou em diversos teatros de São Paulo e de outras cidades. Participou e recebeu premiações de diversos festivais nacionais e internacionais como o Festival de Curitiba, XVII Encuentro Latino Americano de Teatro de Copiapó – Chile, Festival Internacional de Chañaral – Chile, e Encuentro Internacional de Teatro em Aragua, na Venezuela.

O Grupo já foi contemplado em programas de apoio à produção artística como o Programa Myriam Muniz, o programa VAI II, o Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural, 28° Edição da Lei de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, entre outros. Todo o trabalho do grupo é autoral e ao longo de seus mais de dez anos de estrada, já criou 7 obras teatrais.

Em 2017 o grupo realizou uma parceria com a Universidade de Guadalajara – México, resultando na apresentação de diversas ações culturais (apresentação de obras, oficinas e palestras) do grupo em Guadalajara. Além de trabalhar com a obra “Porque as mulheres choram”, o grupo finalizou a construção do sexto espetáculo em parceria com o grupo Mexicano Perspectiva Escénica, que foi intitulada “Inexistência”. As apresentações ocorreram na cidade de São Paulo e em Guadalajara e outras cidades próximas (México).

Atualmente, o grupo está realizando o projeto “Teatro: Uma Pátria Habitável”, contemplado pela 32ª Edição da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, que investiga as bases do teatro brasileiro antes da colonização, pesquisa atual desse grupo paulistano que objetiva, através de vivências e olhares nas manifestações artísticas de caráter cênico mais tradicionais dos povos indígenas brasileiros, encontrar a corporeidade cênica e a estrutura cênica dos povos originários das terras brasileiras. Pesquisa essa denominada de Encontro com o teatro de Pyndorama.

Para mais informações acesse o site: www.refinariateatral.com.br 

Ficha Técnica

Texto e Interpretação | ​​​Celso Frateschi
Direção | ​​Rudifran Pompeu
Cenário e Figurino​ | Sylvia Moreira
Trilha Original​​ | Demian Pinto
Concepção De Luz​ | Wagner Freire
Direção de Movimento | Vivien Buckup
Fotografias | Edson Kumasaka
Cenotécnico | Emerson Fernandes
Produção​​ | Danielle Cabral (Dcarte)
Idealização | Ágora Teatro

Agradecimento: Gimawa.Com

Serviço:

Monólogo Diana
Data: 31 de outubro e 1 de novembro, quinta-feira e sexta-feira, às 20h
Local: Sede do grupo Refinaria Teatral
Endereço: Rua João de Laet, 1507 – Vila Aurora – CEP 02410-010
Reservas: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
Lotação: 40 lugares

Grátis!

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