Tecnologia

Rubens Maciel

A tecnologia atual das baterias de íons de lítio provavelmente não dará conta da grande demanda por energia das próximas décadas. Estima-se que em 2050 a eletricidade represente 50% da matriz mundial. Hoje esse índice é de 18%. Já a capacidade instalada para a produção de energias renováveis deve se tornar quatro vezes maior. Isso demandará baterias mais eficientes, baratas e amigáveis ao meio ambiente.

Uma das alternativas estudadas em várias partes do mundo hoje é a bateria de lítio-ar. Alguns dos esforços brasileiros na busca deste dispositivo foram apresentados durante o segundo dia da FAPESP Week London, realizada nos dias 11 e 12 de fevereiro de 2019.

“Fala-se muito hoje nos carros elétricos. Alguns países europeus cogitam inclusive banir motores a combustão. Além disso, fontes renováveis como a energia solar precisam de baterias para armazenar o que é gerado durante o dia pela irradiação solar”, disse Rubens Maciel Filho, professor da Faculdade de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A bateria de lítio-ar, atualmente funcionando apenas em escala laboratorial, tem como um dos reagentes o oxigênio do ar. Ela armazena mais energia por meio de uma reação eletroquímica, com a formação de óxido de lítio.

“É uma forma sustentável de armazenar energia elétrica. Com os avanços, pode suportar muitos ciclos de carga e descarga. Portanto, é durável. Ela apresenta ainda grande potencial para uso em transporte, tanto em veículos leves como os veículos pesados. Pode atuar ainda nas redes de distribuição de energia elétrica”, disse o pesquisador.

No entanto, transformar os experimentos em um produto comercialmente viável implica entender os fundamentos das reações eletroquímicas que ocorrem no processo.

“Além disso, requer o desenvolvimento de novos materiais que permitam potencializar as reações desejadas e minimizar ou evitar as indesejadas”, disse Maciel, que é diretor do Centro de Inovação em Novas Energias (CINE) .

Com unidades na Unicamp, no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e no Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), o centro tem apoio da FAPESP e da Shell, no âmbito do programa Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE).

Ele explicou que alguns dos fenômenos precisam ser observados in operando, ou seja, em tempo real. “A ideia é acompanhar em experimentos dinâmicos as reações que ocorrem e as diferentes espécies químicas que são formadas, mesmo que temporariamente. Do contrário, perdem-se algumas das etapas do que acontece durante o processo e a bateria se torna ineficiente em termos de tempo para ser carregada e duração da carga”, disse.

Para fazer essas medições, os pesquisadores usam o acelerador de luz síncrotron do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), localizado em Campinas.

Um outro projeto apresentado foi o de novas baterias de enxofre-ar. Apesar de não serem tão eficientes, são baratas e armazenam energia para muitas horas. “Elas podem estocar energia para até 24 horas a um custo muito baixo. Enxofre e soda cáustica são os principais ingredientes e são extremamente baratos. Por isso, estamos investindo nelas”, disse Nigel Brandon, professor do Imperial College.

Por conta dessas características, as baterias de enxofre-ar poderiam ser usadas em casas ou empresas. Brandon acredita, no entanto, que o maior potencial seria para estações de recarregamento de carros elétricos, que serão cada vez mais comuns em razão da meta europeia de corte de emissões de carbono de 80% até 2050.

“É importante frisar que os diferentes projetos de bateria não são concorrentes, mas complementares”, disse Geoff Rodgers, da Brunel University London, mediador da sessão.

Sol, hidrogênio e biocombustíveis

As baterias mais eficientes têm especial importância num cenário em que o uso de energia solar deve aumentar. Com o pico de radiação solar durante o dia, será preciso armazenar essa energia de forma adequada para usá-la durante a noite.

Maciel falou ainda sobre o projeto de células fotovoltaicas mais eficientes desenvolvido no CINE, sob coordenação de Ana Flavia Nogueira, do Instituto de Química da Unicamp. A tecnologia poderá futuramente ser usada tanto para a conversão da energia solar em elétrica como para a obtenção de produtos químicos, ou mesmo hidrogênio a partir da hidrólise da água.

O hidrogênio líquido é um combustível bastante eficiente, mas que tem alto custo energético para ser produzido. No Reino Unido, é uma das opções no horizonte, já que os biocombustíveis não são tão viáveis quanto no Brasil. Ainda assim, os britânicos desenvolvem estudos relacionados ao tema.

“Estamos procurando novas enzimas bacterianas para a oxidação da lignina, polímero aromático que compõe mais de 25% da parede celular das plantas, parte do bagaço da produção de biocombustível. O objetivo é criar novos produtos como biocombustíveis, novos plásticos e produtos químicos para a indústria”, disse Timothy Bugg, da University de Warwick.

CINE

O CINE, que iniciou suas atividades em 2018, possui um programa de pesquisa voltado para a conversão de metano em produtos químicos, que envolve o desenvolvimento de catalisadores. A coordenação é de Fabio Coral Fonseca, do Ipen.

O centro tem ainda um programa de Ciência Computacional de Materiais e Química que, por meio de modelos matemáticos em nível molecular, possibilita avaliar o impacto de novos materiais e suas interações com moléculas de interesse. Essas pesquisas são lideradas por Juarez Lopes Ferreira da Silva, professor do Instituto de Química da USP em São Carlos.

André Julião, de Londres
Agência FAPESP

Telescópio fotométrico

Uma nova versão do Solar-T, telescópio fotométrico desenvolvido no Brasil, será embarcada na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) para medir as explosões solares. A previsão é que o Sun-THz, como foi nomeado o novo equipamento, seja lançado em 2022 e permaneça fazendo medições de forma constante.

O telescópio fotométrico trabalha numa frequência de 0.2 a 15 terahertz (THz), que só pode ser medida do espaço. Paralelamente, um outro telescópio, o HATs, será instalado na Argentina. O instrumento, que ficará pronto em 2020, vai trabalhar na frequência de 15 THz em solo. O HATs está sendo construído como parte de um Projeto Temático que tem como responsável Guillermo Giménez de Castro, professor do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM).

Os equipamentos foram alguns dos temas apresentados durante palestra de Giménez de Castro na FAPESP Week London, realizada em 11 e 12 de fevereiro.

O pesquisador explicou que as explosões ou erupções solares são fenômenos que ocorrem na superfície do Sol, podendo causar altos níveis de radiação no espaço sideral.

O Sun-THz é uma versão aprimorada do Solar-T, telescópio fotométrico duplo que em 2016 foi lançado pela Nasa na Antártica, em um balão estratosférico que permaneceu 12 dias a 40 mil metros de altitude.

O Solar-T captou a energia que emana das explosões solares em duas frequências inéditas, de 3 e 7 THz, que correspondem a uma fração da radiação infravermelha distante (leia mais em: http://agencia.fapesp.br/22605/).

O Solar-T foi projetado e construído no Brasil por pesquisadores do CRAAM, em colaboração com colegas do Centro de Componentes Semicondutores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O desenvolvimento dele foi possível graças a um Projeto Temático e de um Auxílio à Pesquisa-Regular da FAPESP. Ambos tiveram como pesquisador responsável Pierre Kaufmann, pesquisador do CRAAM e um dos precursores da radioastronomia no Brasil, falecido em 2017.

O novo equipamento, que teve Kaufmann como um dos idealizadores, será fruto de uma parceria com o Instituto Lebedev de Física, na Rússia.

“A ideia agora é usar um conjunto de detectores para medir um espectro completo, desde 0.2 THz até 15 THz”, disse Giménez de Castro à Agência FAPESP.

A maior parte do novo telescópio fotométrico será construída na Rússia, mas contará com peças feitas no Brasil, como um equipamento usado na calibração do instrumento como um todo.

“A tecnologia e o conceito do telescópio foram desenvolvidos aqui. Os russos gostaram da ideia e a estão reproduzindo, colocando, porém, mais elementos. Estamos trabalhando na fronteira da tecnologia. Há 40 anos, essa fronteira era de 100 gigahertz, era o que dava para fazer. Com os resultados que vieram ao longo dos anos, buscamos frequências mais altas e temos boas perspectivas para o futuro”, disse o pesquisador.

O futuro desses equipamentos está nos sensores de grafeno. Bastante sensível quando se trata de frequências em terahertz, os sensores de grafeno podem detectar polarização e serem eletronicamente ajustados.

Experimentos para a criação desses detectores ocorrem atualmente no Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno, Nanomateriais e Nanotecnologias (MackGraphe) da Universidade Presbiteriana Mackenzie, centro que tem apoio da FAPESP.

O projeto conta ainda com a colaboração da Universidade de Glasgow, como parte do doutorado de Jordi Tuneu Serra, atualmente fazendo estágio de pesquisa no exterior com apoio da FAPESP e que também esteve presente na FAPESP Week London.

André Julião, de Londres
Agência FAPESP

Caverna de estocagem de gás carbônico

Um conjunto de tecnologias, que deve ter seus primeiros resultados aplicados em quatro anos, tem como objetivo resolver um dos maiores problemas da exploração de óleo e gás no mundo hoje: a emissão de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) na atmosfera.

Resultado de uma patente depositada no ano passado, a inovação consiste em injetar o CO2 e o CH4 que sai dos poços durante a extração de petróleo em cavernas de sal, de forma a abater o gás carbônico da conta das emissões.

A primeira “caverna-piloto” pode estar pronta em 2022 e é resultado de pesquisas realizadas no Centro de Pesquisa para Inovação em Gás (RCGI), constituído pela FAPESP e pela Shell, com sede na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O RCGI é um dos Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE) financiados pela FAPESP em parceria com empresas.

“Esse é um conceito conhecido como carbon capture storage (CCS). Nesse caso, o CO2 fica estocado em grandes cavernas na própria camada de sal. Essa talvez seja uma das melhores formas de obter energia limpa de um combustível fóssil durante o processo de produção”, disse Julio Meneghini, professor da Poli-USP e coordenador do RCGI.

Meneghini foi um dos palestrantes do primeiro dia de reuniões da FAPESP Week London, que se realiza em Londres nos dias 11 e 12 de fevereiro de 2019.

O local da caverna que vai receber os primeiros testes ainda não está definido, mas deverá ser em alguma das áreas do pré-sal. Nessa primeira fase, ela deve ter metade do tamanho das cavernas que serão usadas quando a tecnologia estiver funcionando em sua capacidade total: 450 metros de altura por 150 metros de largura.

Segundo Meneghini, o Brasil será o primeiro lugar no mundo em que esse conceito vai ser aplicado, e o modelo poderá ser exportado para outros países. Além de estocar CO2, a caverna poderá estocar ainda metano e separar os dois gases por gravidade. Por ter uma densidade menor, o CH4, também chamado de gás natural, fica no volume superior na caverna e pode ser explorado posteriormente. O dióxido de carbono fica embaixo. O pesquisador prevê que até 2022 comecem pelo menos os primeiros testes ou se inicie a construção da caverna. No cenário mais otimista, será o ano do início da operação da caverna.

Captura de gás carbônico

“A novidade não é só a caverna, mas as várias inovações que orbitam em torno dela, como separadores supersônicos de gases, compressores projetados com otimização topológica, membranas de nanotubos de grafeno para a separação dos gases, entre outros”, disse o pesquisador.

Os novos compressores de CO2 são vitais para o funcionamento do projeto, já que as cavernas contam com condições extremas de pressão. Só de lâmina d’água, distância da superfície até o solo marinho, são de 2 mil a 3 mil metros de profundidade. Essas e outras variáveis deixam o gás no chamado estado supercrítico.

“Ele tem a densidade de um líquido e a viscosidade de um gás. Por isso, é necessário um projeto de compressor para essa condição específica. Criamos uma nova metodologia que consiste em otimizar o compressor exatamente para as condições do fluido supercrítico”, disse Meneghini à Agência FAPESP.

Outra tecnologia relacionada às cavernas de dióxido de carbono são os separadores de gás. Também devido às condições do pré-sal, estão sendo desenvolvidos os chamados separadores supersônicos com geometria variável para cada composição da mistura de CO2 com metano.

Além disso, estão sendo desenvolvidas membranas de nanotubos de grafeno, também para separação desses gases com a menor perda de energia possível.

A captura de gás carbônico pode ocorrer ainda na geração de etanol. “O gás capturado pode ser estocado ou aproveitado na indústria alimentícia, na produção de bebidas gaseificadas como refrigerantes. Com isso, pode-se chegar inclusive a valores negativos de emissões”, disse Meneghini. "Os experimentos ainda são realizados em pequena escala", acrescentou.

As tecnologias surgem num contexto em que há um aumento da demanda de energia per capita no mundo e a necessidade de mitigar emissões, por conta das mudanças climáticas globais.

André Julião, de Londres
Agência FAPESP

raio

O aplicativo SOS Chuva, capaz de fornecer a usuários de smartphones informações precisas sobre a ocorrência de chuvas intensas e raios em diversas regiões brasileiras, foi o vencedor do Prêmio Péter Murányi 2019, edição Ciência & Tecnologia.

O serviço, que tem como objetivo reduzir a vulnerabilidade da população a eventos climáticos extremos e está disponível desde 2018, foi desenvolvido no âmbito de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP e coordenado pelos pesquisadores Luiz Augusto Machado, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e Edmilson Dias Freitas, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). Eduardo Guarino, do Inpe, coordena ao lado de Machado o desenvolvimento do SOS Chuva.

A solenidade de premiação será realizada pela Fundação Péter Murányi em abril. O grupo vencedor receberá R$ 200 mil dos organizadores.

“Além de motivar a equipe desenvolvedora, essa premiação abre portas para o aprimoramento do serviço. Cada vez que aumenta o número de usuários, necessitamos de mais máquinas para dar conta dos cálculos”, disse Machado à Agência FAPESP.

Segundo o pesquisador, cerca de 100 mil pessoas já instalaram o app SOS Chuva, que mostra em tempo real onde estão ocorrendo chuvas fortes e para que lado elas se dirigem. Também é possível consultar a ocorrência e a intensidade de raios.

O app conta ainda com uma ferramenta para compartilhamento entre os usuários de eventos relacionados às chuvas fortes, como alagamentos, quedas de árvores ou de pontes.

“O compartilhamento de relatos tem crescido muito. Já temos mais de 13 mil. A maioria ainda é do Estado de São Paulo, pois só recentemente foram incluídos radares meteorológicos de outras regiões do Brasil”, contou Machado.

O serviço começou a funcionar com um único radar meteorológico situado em São Roque, interior de São Paulo, mantido pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), ligado ao Ministério da Defesa. Posteriormente, foram acrescentados radares do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru e Presidente Prudente.

Atualmente, também fazem parte outros cinco radares do Decea, em Pico do Couto (RJ), Gama (DF), Canguçu (RS), Santiago (RS) e Morro da Igreja (SC); dois do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) do Rio de Janeiro, em Macaé e Guaratiba; e sete do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em Maceió (AL), Salvador (BA), São Francisco (SP), Três Marias (MG), Jaraguari (RS), Petrolina (PE) e Natal (RN).

“Estamos fechando acordos para incluir radares da Amazônia e do Ceará e, deste modo, vamos abranger quase todo o território brasileiro”, disse Machado.

Tornar o aplicativo mais amigável aos usuários é, no momento, o principal desafio do grupo do Temático, que inclui cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e do IAG-USP.

“Já conseguimos identificar os pontos de maior dificuldade e estamos preparando uma nova versão do app”, contou o pesquisador.

Para Machado, a principal vantagem do serviço é promover o acesso direto da sociedade aos dados obtidos pelos radares meteorológicos, que antes ficavam restritos às instituições. “Isso permite ao cidadão gerir seu próprio risco quando for viajar ou quando for pintar sua casa, por exemplo”, disse.

O pesquisador do Inpe explica que o SOS Chuva é apenas uma das ferramentas que estão sendo desenvolvidas no Projeto Temático, cujo objetivo é desenvolver as bases científicas e a tecnologia necessária para implantar a previsão imediata do tempo no Brasil.

Diferente da previsão do tempo convencional – aquela normalmente divulgada pelos telejornais –, a previsão imediata consegue informar a incidência de chuva, granizo ou tempestade com precisão de 1 quilômetro e antecedência de 30 minutos a 6 horas.

Outros premiados

Em sua 18ª edição, o Prêmio Péter Murányi recebeu 140 trabalhos, vindos de toda a América Latina. Na segunda colocação, que receberá R$ 30 mil, ficou o trabalho coordenado pelos professores Luiz Carlos Federizzi e Marcelo Teixeira Pacheco, ambos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que resultou no desenvolvimento de um programa de melhoramento genético da aveia, permitindo o cultivo desse cereal em áreas do Sul do Brasil.

Na terceira posição, com prêmio de R$ 20 mil, ficou o trabalho coordenado por João Batista Calixto, professor titular aposentado de Farmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que possibilitou o desenvolvimento de um medicamento anti-inflamatório com plantas da biodiversidade brasileira.

O Prêmio Péter Murányi é realizado anualmente, com temas que se alternam a cada edição: Saúde, Ciência & Tecnologia, Alimentação e Educação. Os temas são revisitados a cada quatro anos.

A premiação tem apoio da FAPESP, do Centro de Integração Empresa-Escola, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, da Academia Brasileira de Ciências, da Associação dos Cônsules no Brasil e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Mais informações: www.fundacaopetermuranyi.org.br.

Karina Toledo
Agência FAPESP

Porto de Santos

A SIAA – Soluções Integradas em Ambientes Aquáticos – foi criada em 2014 pelo oceanógrafo Felipe Murai Chagas para prestar serviços na área de consultoria. Um ano depois, a empresa submeteu, com sucesso, proposta à fase 1 do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP para testar a viabilidade de projeto de desenvolvimento de um sistema computacional de monitoramento e previsão ambiental em áreas marítimas, utilizando modelos numéricos e inteligência artificial.

Entre 2016 e 2018, a SIAA também contou com o apoio do Programa PIPE-PAPPE Subvenção – constituído por meio de acordo entre a FAPESP e a Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep) – para levar o protótipo ao mercado. “Desenvolvemos o MPV [produto mínimo viável] e, atualmente, estamos realizando a implantação para clientes selecionados, visando a customização do sistema para demandas específicas”, diz o fundador da empresa.

O Sistema Integrado de Previsão e Segurança (SIPS) é um módulo do sistema que permite, por exemplo, fazer a previsão das condições de aproximação e amarração dos navios no porto por meio da análise das “forçantes ambientais” – que inclui ondas, marés, ventos, correntes e ressacas.

O objetivo é tornar o setor marítimo brasileiro mais seguro e eficiente. “O SIPS fornece alertas específicos para operações marítimas, podendo ser utilizado para gestão de entrada e saída de embarcações, riscos de inundação em área costeira, agitação por ondas e ventos em marinas, dentre outros.”

A ferramenta fornece resultados numa interface web, on-line 24 horas por dia, permitindo ao cliente incorporar esses alertas para manejar operações diárias, aumentar a eficiência, rentabilidade, segurança e padronizar as operações, explica Chagas. “Muitos navios, que poderiam estar atracados, aumentando a eficiência do porto, não o fazem porque os modelos utilizados não dão segurança para um planejamento adequado”, diz ele.

Segundo o oceanógrafo, atualmente a maioria dos gestores orienta a entrada de embarcações com base em sua própria experiência e em previsões meteorológicas para grandes extensões de área, o que resulta em menor precisão.

Para obter dados locais, a SIAA roda modelos com base em diversas fontes, incluindo agências de pesquisa internacionais como a NOAA ( National Oceanic and Atmospheric Administration), dos Estados Unidos, o Copernicus (Programa Europeu de Observação da Terra), além de empresas de meteorologia. “Conectamos negócios, pessoas e previsão e, para isso, precisamos combinar dados mundialmente estabelecidos com tecnologias locais”, diz Chagas.

O sistema desenvolvido pela SIAA pode ser utilizado tanto por terminais portuários, quanto por empresas de navegação, marinas e, até mesmo, pela Defesa Civil de municípios costeiros. Conforme o uso a que se destina, a ferramenta pode agregar diferentes funcionalidades. “O sistema pode, por exemplo, fazer o cálculo da movimentação de navios sob diferentes condições ambientais, avaliando o risco de a embarcação adernar ou tocar o fundo do mar”, exemplifica o pesquisador. A criação de um banco de dados específico para cada cliente permite a customização da ferramenta.

A tecnologia será oferecida como serviço, com a cobrança de uma mensalidade. Chagas aposta no aumento da eficiência para atrair seus clientes. “As operações marítimas em geral são caras e movimentam bilhões de reais anualmente. Com maior produtividade, um ano de utilização do serviço pode equivaler ao pagamento de um mês”, calcula.

Outro argumento para a venda é a possibilidade de utilização do sistema para a comprovação de requisitos de segurança, necessários à conquista de certificações ambientais portuárias que melhoram a imagem dos portos no mercado externo, atraindo mais negócios. “Cada certificado tem suas próprias exigências, mas todos atestam que um porto ou instalação náutica preocupa-se com o meio ambiente em relação à poluição, emissões de gases, derrames de óleo etc.”

Segundo o oceanógrafo, o sistema contribui principalmente para a redução do risco de acidentes próximos à costa. “Um acidente, principalmente no setor de óleo e gás, pode causar impactos severos para o meio ambiente, caso haja derramamentos. São prejudicados os organismos marinhos, as comunidades pesqueiras e tradicionais que tiram o sustento do mar, além do risco à vida dos trabalhadores. Com a adoção do sistema, o risco de acidentes pode ser consideravelmente reduzido, já que antecipa informações de eventos extremos que trazem insegurança às atividades costeiras.”

Leia a notícia completa em: http://pesquisaparainovacao.fapesp.br/inteligencia_artificial_na_gestao_de_operacoes_maritimas/917.

Suzel Tunes
Pesquisa para Inovação

protótipo do Dune

Uma parte vital de um dos maiores experimentos da física de partículas atual foi desenvolvida no Brasil. O Arapuca é um detector de luz a ser instalado no Deep Underground Neutrino Experiment (Dune) – projeto que busca descobrir novas propriedades dos neutrinos, partícula elementar com muito pouca massa e que viaja a uma velocidade muito próxima à da luz.

O X-Arapuca é uma evolução do detector de luz criado pelos professores Ettore Segreto, do Instituto de Física Gleb Wataghin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Ana Amélia Bergamini Machado, pesquisadora colaboradora do mesmo instituto. O dispositivo foi apresentado durante o primeiro dia da FAPESP Week London (http://www.fapesp.br/week2019/london/), evento realizado nos dias 11 e 12 de fevereiro de 2019.

Os pesquisadores têm apoio da FAPESP por meio do Programa de argônio líquido na Unicamp.

O detector será instalado no Dune, que deve começar a ser construído em 2021, nos Estados Unidos (leia mais sobre o projeto em: http://agencia.fapesp.br/25451/). O experimento será composto de duas partes. Em uma delas, no Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab), no estado norte-americano de Illinois, haverá um acelerador de partículas que vai disparar um poderoso feixe de neutrinos. No Fermilab haverá ainda um dos detectores, não muito distante do acelerador. Na outra ponta, 1.300 quilômetros distante, na Sanford Underground Research Facility, em Dakota do Sul, haverá um outro detector. Este ficará 1.500 metros abaixo do nível do solo, preenchido com 70 mil toneladas de argônio líquido. Além dele, estarão nesse local 60 mil detectores X-Arapuca, responsáveis por detectar as partículas de luz emitidas com o feixe. Cada X-Arapuca terá 10 x 8 centímetros.

Todo o sistema está sendo testado numa versão em menor escala, o protoDune, em funcionamento desde setembro de 2018 na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), na fronteira entre França e Suíça.

 

Armadilha

“Este é o desenvolvimento mais recente do Arapuca. Ele tem uma eficiência ainda maior, baseada no mesmo princípio, com pequenas modificações. Estamos fazendo os testes na Unicamp e o detector parece ser muito bom. Além disso, a construção é mais simples”, disse Segreto à Agência FAPESP.

Uma das modificações foi a inclusão de uma guia de luz – dispositivo feito de um material que prende os fótons dentro do detector com mais eficiência. Com mais luz capturada, fica mais fácil medir suas propriedades. “A ideia desses detectores maiores é direcionar ainda mais os fótons para os detectores ativos, sensores de silício que são muito menores”, disse Segreto.

Esses pequenos sensores devem ser as únicas partes do X-Arapuca que não serão produzidas no Brasil. “A ideia é que todos os demais componentes e também a montagem sejam feitos no país”, disse o pesquisador, que vai coordenar toda a parte de detecção de luz do experimento (leia mais em: http://agencia.fapesp.br/26040/).

A luz será produzida quando o feixe de neutrinos atingir o argônio líquido presente no principal detector do Dune e produzir cintilação. Entre os fatores que pesaram para a escolha do argônio líquido está a capacidade de cintilação muito maior que a da água, usada em outros experimentos como o Super-Kamiokande, do Japão.

O argônio estará distribuído em quatro módulos, com o material mantido em estado líquido por uma refrigeração a 184 graus celsius negativos. O argônio líquido possibilitará ainda obter imagens em 3D das interações, com grau inédito de detalhamento e precisão.

O experimento deverá trazer respostas sobre a formação do Universo, como a chamada “violação de simetria de carga-paridade dos léptons”, que teria produzido, logo depois do Big Bang, um pequeno excedente de matéria em relação à antimatéria. O excedente comporia, atualmente, todo o universo observável.

Colaboração internacional

Stefan Söldner-Rembold, professor da Universidade de Manchester e um dos palestrantes do evento, elogiou a participação brasileira no experimento. O pesquisador responde pela parte do Reino Unido no consórcio.

“Um dos desafios que temos em acordos deste tipo é como as diferentes agências de financiamento de outros países contribuem com recursos. Quem põe o dinheiro quer que ele seja gasto localmente e também que a expertise seja desenvolvida localmente. A ideia é que o Brasil não contribua apenas enviando dinheiro, mas que os detectores sejam construídos no país e instalados no Dune com o know-how brasileiro. Isso de modo geral é difícil de alcançar, mas vamos conseguir neste caso”, disse o pesquisador.

André Julião, de Londres
Agência FAPESP

método rápido para avaliar potássio em soja

Cientistas da Embrapa Soja (PR) desenvolveram um teste que avalia na lavoura de soja a concentração de potássio (K), macronutriente fundamental para o desenvolvimento das plantas. A avaliação permite corrigir possíveis deficiências nutricionais com agilidade, pois substitui as atuais análises laboratoriais convencionais mais demoradas. Os pesquisadores ressaltam, porém, que as análises laboratoriais continuam sendo importantes para a avaliação dos demais nutrientes.

Chamada de Fast-K, a tecnologia, que será lançada esta semana durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), utiliza um medidor portátil que analisa uma solução líquida feita com folhas de soja. A partir desse material, o equipamento interpreta e apresenta os resultados na hora, dispensando a diagnose tradicional que tem de ser feita em laboratório.

Resultado na hora para correção nutricional rápida

A proposta do Fast-K é melhorar o manejo nutricional da soja, de acordo com o pesquisador da Embrapa Adilson de Oliveira Júnior. “Ao realizar o teste foliar no campo, a assistência técnica ganha tempo para tomar as decisões mais acertadas em relação à correção da deficiência de potássio ainda na safra em curso, uma vez que o potássio tem influência direta na produtividade”, detalha o cientista.

O potássio é o segundo nutriente mais exportado pela soja, atrás apenas do nitrogênio, que é fornecido via fixação biológica de nitrogênio (FBN). Estudos desenvolvidos pela Embrapa indicam que, em média, a soja demanda 20 quilos de óxido de potássio (K2O) por hectare para cada tonelada de grãos produzida. O nutriente é retirado pelas plantas do solo que, com o tempo, vai ficando sem o elemento. “Essa alta exportação de potássio, quando não é reposta nas quantidades exportadas, pode levar à redução da disponibilidade do nutriente no solo e, consequentemente, à redução de produtividade”, explica Oliveira Júnior.

Deficiência de potássio afeta produtividade

Há algumas safras, a Embrapa Soja tem identificado o aparecimento de sintomas de deficiência de potássio em lavouras de soja no Brasil, como o amarelecimento das folhas superiores da planta causado pela produção insuficiente de clorofila decorrente da falta desse elemento, fenômeno conhecido como clorose.

Além disso, muitas lavouras podem sofrer carência do nutriente sem apresentar sintomas, processo denominado “fome oculta”. De acordo com o pesquisador, é imprescindível manter os teores adequados de potássio, porque o nutriente auxilia as plantas a ampliar a tolerância a estresses bióticos (como insetos-praga, fungos, bactérias) e abióticos (seca e mudanças de temperatura, por exemplo), garante melhor qualidade às sementes e grãos, além de ser responsável por outras funções, fatores que tornam o nutriente essencial à produtividade.

Como funciona o Fast-K

A primeira etapa do método Fast-K envolve a coleta de cinco a dez folhas de soja. A amostragem deve representar a condição média do talhão, ou ainda, contrastando condições e plantas com e sem sintomas, em áreas com suspeita de deficiência de potássio.

A fase de desenvolvimento mais indicada para a amostragem é a mesma da diagnose nutricional padrão (pleno florescimento/início de formação das vagens: estádio R2/R3). “No entanto, para aumentar o espectro de amostragem, a metodologia foi calibrada também para as fase de formação de vagens (R4) e início de enchimento de grãos (R5.1 a R5.3)”, explica o pesquisador da Embrapa. 

Após a coleta, as folhas precisam ser pesadas (1,5 a 2,5 g de folhas recém- amostradas) em balança portátil (precisão de 0,1 g e capacidade máxima de 500g). Posteriormente, serão maceradas com uma pequena quantidade de água para se obter uma massa fresca que será passada por um filtro de papel. 

Pesquisador da Embrapa Adilson de Olivieira Jr. explica a metodologia Fast-K 

A solução líquida obtida será inserida em um aparelho chamado “medidor portátil de íons” (Horiba Laqua twin® ou similar), equipamento capaz de fazer a leitura e determinar a concentração de potássio em amostras líquidas. O detalhamento da metodologia pode ser acessado no hotsite.

O Fast-K pode indicar três estados nutricionais das plantas: 1) deficiência; 2) “fome oculta” (perda de produtividade sem expressar o sintoma de deficiência); e 3) níveis adequados. “A partir do diagnóstico obtido é possível definir as estratégias de manejo nutricional da lavora, ainda na safra corrente”, afirma Oliveira Júnior.

A interpretação dos resultados da análise é feita comparando-se os teores das amostras obtidas a campo com os valores-padrão calculados pela pesquisa a partir de plantas cultivadas com e sem restrições quanto à disponibilidade de potássio. Assim é possível interpretar o valor determinado como “deficiente ou adequado”.

Os especialistas da Embrapa Soja preconizam que a adubação com potássio deve ser bem planejada, visando atender a alta exportação desse nutriente na cultura da soja. A recomendação é que a aplicação seja realizada no sulco de semeadura, desde que a dose aplicada seja inferior a 50 kg/ha de K2O.

Lebna Landgraf (MTb 2903/PR)
Embrapa Soja

Custo da tecnologia

Segundo Oliveira Júnior, o custo para a utilização do Fast-K será de aproximadamente R$ 3.500,00, considerando a aquisição do medidor portátil, balança, entre outros componentes descritos na metodologia. A análise foliar de cada talhão da propriedade tem custo aproximado de R$100,00. O pesquisador ressalta que o Fast-K não substitui a análise foliar realizada nos laboratórios as quais, além do K, diagnosticam o estado nutricional das plantas para os demais macro e micronutrientes.

 A importância de monitorar a fertilidade do solo

A produção agrícola depende, entre outros fatores, da disponibilidade de nutrientes de forma equilibrada no solo. O pesquisador Adilson de Oliveira Júnior explica que a avaliação periódica da fertilidade é fundamental para se indicar o nível de nutrientes presentes no solo e sua capacidade de suprir as necessidades das plantas em uma lavoura.

Segundo o pesquisador, a avaliação da fertilidade do solo pode ser realizada de duas maneiras: por meio da análise química de solo ou via análise foliar. No primeiro tipo, são coletadas amostras representativas da propriedade para se avaliar a disponibilidade de macronutrientes (fósforo, cálcio, potássio e magnésio) e o pH do solo (determina o grau de acidez e alcalinidade do solo). “A análise de solo traz informações sobre a disponibilidade dos nutrientes para que o produtor possa utilizar os fertilizantes mais adequados e nas quantidades ideais para cada situação”, relata. “Além de auxiliar na decisão de adubação, indica a necessidade de aplicação de calcário ou gesso, práticas que, respectivamente, neutralizam a acidez do solo e melhoram o ambiente para o crescimento das raízes em subsuperfície”, detalha.

Em complementação à análise de solo, Oliveira recomenda a análise foliar. Essa avaliação é feita a partir das folhas de soja para se quantificar os nutrientes que a planta absorveu e com isso refinar o manejo nutricional da lavoura. A interpretação vai variar de região para região, porque existem tabelas adaptadas para o Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso Sul e uma geral para o Brasil. “A palavra-chave é avaliar, monitorar, remensurar, sempre para verificar se o que foi aplicado está atendendo ao que foi exportado pela planta”, diz o pesquisador.

Micronutrientes também são necessários

Ele destaca também a necessidade dos micronutrientes, que apesar de serem demandados em pequenas quantidades pelas plantas, quando comparadas com as dos macronutrientes, sua importância é igualmente fundamental para o desenvolvimento e produção da cultura.

Os micronutrientes essenciais são boro (B), cobre (Cu), manganês (Mn), molibdênio (Mo), cobalto (Co) e zinco (Zn). “A utilização de micronutrientes vem ganhando destaque na soja devido ao aumento dos patamares produtivos, do aumento da remoção de diversos nutrientes do solo, do aparecimento de deficiências e do incorreto uso de calcário”, conta.

usina

Em 1975, o governo brasileiro lançou o Programa Nacional do Álcool (Pró-Álcool), que visava aliviar a esmagadora dependência do país em combustíveis fósseis com uma mudança para combustíveis mais limpos com base em álcool etílico.

“Graças a pesquisadores como o professor José Goldemberg, da Universidade de São Paulo, o programa foi um sucesso avassalador. Combinar os recursos naturais do país com um salto tecnológico – evitando tecnologias menos adequadas utilizadas por nações industrializadas – fez com que, hoje, o etanol substitua 50% da gasolina que de outra forma estaria em uso no Brasil. O professor Goldemberg argumenta que é hora de tomar a abordagem globalmente”, destaca um artigo publicado na Research Outreach.

O artigo explora o conceito de “salto tecnológico” criado por Goldemberg como alternativa de crescimento e de superação de problemas energéticos de países em desenvolvimento.

Goldemberg foi presidente da FAPESP de 2015 a 2018, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e reitor da Universidade de São Paulo. Ocupou os cargos de secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo e de secretário de Ciência e Tecnologia e secretário de Meio Ambiente no Governo Federal, tendo sido também ministro da Educação.

O texto destaca que, tal como a distribuição desigual de riqueza, a maior parte da energia produzida no mundo é consumida por uma minoria. “Aproximadamente 70% da energia comercial no mundo é consumida pelos 25% da população mundial que vivem em países industrializados, com os restantes 30% sendo racionados para os 75% das pessoas que vivem nas nações em desenvolvimento.”

“Esta situação não é sustentável e seria ingênuo esperar que o balanço permaneça o mesmo. Se olharmos para os dados, veremos que o uso energético das nações industrializadas tem estabilizado nos últimos anos, enquanto o dos países em desenvolvimento continua a crescer. O que ocorrerá quando as escalas se alterarem e os países em desenvolvimento consumirem mais e mais energia, particularmente energia de combustíveis fósseis poluentes? O professor Goldemberg passou toda a sua carreira lidando com problemas como esses e, se a degradação ambiental produzida pelo homem e as mudanças climáticas forem a pílula mais amarga que nossa geração terá que engolir, talvez possamos tirar uma folha de seu trabalho para adoçar esse gosto com açúcar”, escreveram os autores.

O artigo faz um histórico do Pró-Álcool e ressalta um artigo publicado por Goldemberg na revista Science, em 1978. “[No artigo] ele olhou especificamente para o custo e gasto energético de várias culturas diferentes: cana-de-açúcar, mandioca e sorgo doce ou sacarino. Ele se concentrou nessas culturas específicas por serem essencialmente uma forma de energia solar não poluente: os raios solares fornecem as colheitas com a energia de que necessitam para crescer e a energia extra é armazenada pelas plantas, podendo ser extraída posteriormente na forma de álcool etílico.”

“O trabalho do professor Goldemberg demonstrou que a cana-de-açúcar era a cultura mais eficiente ao converter a energia solar em um combustível químico e abriu o caminho para o boom energético brasileiro que se seguiu. Hoje, estima-se que 50% da gasolina que estaria em uso para abastecer carros no Brasil foi substituída por etanol de cana-de-açúcar, um combustível renovável. Um feito que foi possível, em parte, pelo que o professor Goldemberg chama de salto tecnológico”, diz o artigo.

“O professor Goldemberg acredita que as nações em desenvolvimento podem – e devem – dar um salto sobre as tecnologias que são incompatíveis com suas situações específicas. Converter cana-de-açúcar em combustível é um exemplo específico de como isso pode funcionar bem, mas a abordagem pode ser generalizada para muitas tecnologias em todo o mundo”, escreveram os autores.

Segundo Goldemberg, se uma abordagem de salto tecnológico semelhante for adotada na luta contra as mudanças climáticas, a crise energética poderá ser evitada. “Um cálculo simples mostra que expandir o programa brasileiro de etanol por um fator de 10 forneceria etanol suficiente para substituir mais de 20% da gasolina usada no mundo”, disse.

O artigo Technological leapfrogging the global energy crisis pode ser lido em https://researchoutreach.org/articles/technological-leapfrogging-the-global-energy-crisis-changing-role-science-developing-countries-help-oncoming-climate-catastrophe/.

Agência FAPESP

Samsung QLED 8K

A Samsung Electronics Co., Ltd. transformará o mercado global de sinalização digital por meio da qualidade de imagem da QLED 8K, com o lançamento dos primeiros produtos do setor na Integrated Systems Europe (ISE) 2019, em Amsterdã. A nova qualidade de visualização do display deverá impactar a indústria comercial de sinalização digital, trazendo novas e interessantes oportunidades. Além da QLED 8K, os participantes da ISE 2019 puderam experimentar o futuro da sinalização digital, incluindo as tecnologias The Wall 2019* e Multi-Link LED HDR*, tecnologia para sinalização

"Com a chegada da tecnologia 8K em displays de sinalização digital, as empresas podem oferecer uma qualidade de imagem inigualável para o público e de uma forma que antes não era possível", diz Seog-gi Kim, Vice-Presidente Executivo de Negócios de Exibição Visual da Samsung Electronics. “A sinalização QLED 8K de 82 polegadas é apenas um dos muitos produtos inovadores que estivemos entusiasmados em mostrar na ISE 2019. Estamos ansiosos para apresentar à indústria audiovisual global as aplicações comerciais da resolução 8K”.

Sinalização QLED 8K: a maior resolução do mercado com upscaling de Inteligência Artificial

A Samsung apresentou a nova sinalização QLED com resolução 8K de 82 polegadas, que combina a mais alta resolução do mercado com a tecnologia de upscaling de Inteligência Artificial (IA) — produzindo imagens realistas e permitindo que os usuários desfrutem de experiências imersivas de visualização. A tecnologia de upscaling de inteligência artificial em displays comerciais irá capturar a atenção de potenciais clientes; e para anunciantes e proprietários de lojas isso significa uma maior produção de conteúdo a custos mais baixos e uma maior resolução de imagem em qualidade 8K.

O design fino da nova solução, com menos de 40 mm de profundidade, permite uma instalação simples por meio da avançada tecnologia ótica da Samsung e combina com qualquer ambiente no modo retrato ou paisagem. Com uma resolução de 7680 x 4320 pixels, os pixels individuais das imagens tornam-se imperceptíveis ao olho humano.

Similar à TV 8K, o display QLED 8K oferece realce de cor preta por meio do escurecimento local e controle de iluminação Quantum (Quantum Light Control). A tela também possui HDR10+ com brilho máximo de 4000nits e 100% de volume de cores, apresentando imagens de alta qualidade.

The Wall de 292 polegadas em 8K: pronta para ser lançada no primeiro semestre de 2019

A Samsung fará o lançamento global de uma versão de 292 polegadas do The Wall 8K no primeiro semestre deste ano. O The Wall é um display modular de grande formato, ideal para residências de luxo e para fins comerciais, configurável e personalizável para tamanhos e proporções que podem variar de 73 a 292 polegadas.

O design fino e sem moldura da solução permite que o display se integre sutilmente ao ambiente. O Modo Ambiente ainda permite personalizar a exibição, apresentando diversos conteúdos como fotos e arte que combinam com o fundo para complementar o ambiente. Um quadro de decoração personalizável ainda oferece uma apresentação elegante e sofisticada de todos os ângulos, adaptável a qualquer espaço de luxo.

Para complementar o visual do display, a Samsung trabalha com parceiros líderes do setor, incluindo Harman Luxury Audio e Steinway Lyngdorf para soluções de som, Control4, Crestron e Savant para soluções de automação residencial e Domotz, Ihiji e OrvC em recursos de monitoramento remoto para parceiros de canal.

Multi-Link LED HDR: primeiro HDR 8K da indústria para sinalização em LED

A Samsung também apresentou o Multi-Link LED HDR, a primeira tecnologia LED HDR com resolução 8K da indústria. Usando análise de cena e o algoritmo proprietário da Samsung, o Multi-Link LED HDR transforma qualquer conteúdo em qualidade HDR, sem a necessidade de metadados especiais.

O Multi-Link LED HDR para sinalização oferece uma qualidade de imagem incomparável, com os recursos Tone Mapping (ITM) e Dynamic Peaking para maximizar a relação de brilho e contraste de tela cheia ao duplicar a luminosidade de pico. O recurso Color Mapping também permite uma gama adaptável para a exibição de cores LED realistas e vívidas.

Além disso, a tecnologia oferece conteúdo ao vivo com menor latência por meio de um modo ao vivo aprimorado. A solução ajuda a eliminar a interferência de cabos de outros displays através de um cabo LAN de 100 metros (330 pés). [1]

Com a função Multi 8K Frame Lock embutida no Multi-Link LED, os integradores não precisam de um dispositivo separado para sincronizar o conteúdo apresentado nos displays 8K. O Multi-Link LED HDR suporta todos os produtos Samsung SMART com resolução LED e também é compatível com o The Wall Professional e com a Série IFJ.

Série OMN/OMN-D: levando a sinalização semi-outdoor para o mundo

A Samsung também fará este ano o lançamento global da sua série semi-outdoor OMN/OMN-D. Esses displays para vitrines disponíveis nos tamanhos de 46 e 55 polegadas oferecem às empresas uma solução de exibição atraente, com um conteúdo nítido e vívido e uma excelente visibilidade, mesmo sob luz solar direta, com brilho de 4.000nits e alta taxa de contraste de 5000:1, tudo isso com um design fino e elegante.

A série OMN-D apresenta um display frente e verso que permite a exibição nas partes externa e interna, aumentando as oportunidades de vendas dentro e fora da loja. Com Wi-Fi embutido, um cabo de energia elétrica e um cabo LAN, a série reduz a quantidade de cabos e aumenta a eficiência energética.

Ambos os displays apresentam validação IP5X à prova de poeira e proteção contra superaquecimento de três etapas para um desempenho durável, além de sua própria solução embutida, o MagicINFO S6 com tecnologia Tizen 4.0 para gerenciamento simplificado de conteúdo. Os displays são otimizados para atender a uma ampla gama de estabelecimentos, desde restaurantes de atendimento rápido a lojas de departamentos, entre outros.

“Estamos orgulhosos da nossa parceria com a Samsung ao implementar a inovadora tecnologia para vitrines semi-outdoor OMN. Graças a mais de quinze mil vitrines digitais instaladas em nossas lojas e sedes, hoje a Luxottica é uma das maiores anunciantes digitais privadas do mundo. Essa nova solução representa um avanço na forma como nosso grupo interage com milhões de consumidores em todo o mundo”, afirmou o Carlo Panigati, Diretor de Compras Indiretas da Luxottica, líder em design, fabricação, distribuição e venda de óculos de moda, luxo e esporte com base na Itália. A Luxottica usará o display da série OMN em suas lojas na Europa, começando pela Itália.

Durante a ISE, a Samsung apresentou os novos displays 4K das séries QMR e QBR, oferecidos em cinco modelos – com tamanhos que variam de 43 a 75 polegadas, um mecanismo inteligente de upscaling e validação IPX5 à prova de poeira, embutidos com solução de segurança KNOX e Wi-Fi para gerenciamento sem fio. Pensando em shoppings, lojas de varejo e aeroportos, a série QMR tem um brilho de 500nits e um painel antirreflexo. Voltada para lojas menores, estações e terminais de transporte, a série QBR possui um brilho de 350nits. Ambas as séries foram atualizadas, trazendo molduras menores e um design mais simétrico.

Para saber mais sobre a ISE 2019, visite www.iseurope.org.

Para mais informações sobre os novos displays inteligentes da Samsung, visite http://displaysolutions.samsung.com/ise2019

*Não há previsão de lançamento dos produtos no Brasil.

[1] O Multi-Link LED HDR utiliza o HDBaseT, que representa o padrão global para transmissão de vídeo e áudio de altíssima definição em um único cabo.

Sobre a Samsung Electronics Co., Ltd.
A Samsung inspira o mundo e cria o futuro com ideias e tecnologias inovadoras. A companhia está redefinindo o mundo de TVs, smartphones, wearables, tablets, eletrodomésticos, sistemas de conexão e memória, sistema LSI, fundição de semicondutores e soluções LED. Para saber mais sobre as últimas notícias, por favor, visite a Sala de Imprensa da Samsung em http://news.samsung.com/br

Frutas

Em setembro, a África do Sul recebeu o primeiro lote de mangas brasileiras. Foram 25 toneladas exportadas após cinco anos de negociações. A transação só foi possível graças ao tratamento hidrotérmico de frutas, uma tecnologia desenvolvida por uma rede de pesquisa liderada pela Embrapa há mais de duas décadas.

O obstáculo veio de decisões dos principais mercados importadores de frutas, que não aceitam a aplicação de produtos químicos para o controle da mosca-das-frutas (Ceratitis capitata), uma das maiores ameaças à fruticultura mundial por atingir diversos tipos e variedades de frutas.

Durante muito tempo, o Brasil só usava o controle químico para combater a praga, prática que fechou as portas de vários mercados internacionais que adotam barreiras fitossanitárias exigentes.

Água quente e controle do inseto

Desenvolvida no início da década de 1990, a técnica brasileira foi uma adaptação de um tratamento de frutas utilizado em outros países, como o México, e consiste em mergulhar frutas de até 425 gramas em água aquecida a 46ºC por 75 minutos e frutas entre 426g e 650g, por 90 minutos. O processo mata ovos ou larvas do inseto que estejam presentes. O trabalho dos cientistas brasileiros foi desenvolver parâmetros para as condições nacionais e para o combate à mosca-das-frutas, já que à época a técnica só era utilizada para outras pragas.

Além do tratamento hidrotérmico, foi indicado o monitoramento das populações da mosca no campo, a fim de subsidiar o combate feito com métodos isentos de químicos, como a instalação de iscas no pomar e outras técnicas de manejo integrado de pragas (MIP).

O sucesso da solução levou a um novo modelo brasileiro de certificado fitossanitário, o que abriu à fruticultura nacional os mercados da Coreia do Sul, Japão, Chile, Argentina, Estados Unidos, União Europeia e, recentemente, da África do Sul.

A rede de pesquisa responsável pelo desenvolvimento da técnica é composta por especialistas da Embrapa, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB/USP) e da biofábrica Moscamed Brasil, com a supervisão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e o apoio da Associação dos Produtores e Exportadores de Hortifrutigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport).

O vale das frutas

A região do Vale do Rio São Francisco é o principal polo frutícola do País, em especial de mangas das variedades Tommy Atkins, Kent, Palmer e Keitt. Em 2009, por suas uvas de mesa e manga de qualidade diferenciada, recebeu do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) o selo de Indicação de Procedência, requerido pelo Conselho da União das Associações e Cooperativas dos Produtores de Uvas de Mesa e Mangas do Vale do Submédio São Francisco (Univale).

Segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), atualmente o Vale do São Francisco é responsável por 90% da manga brasileira exportada e gera 200 mil empregos diretos. “De janeiro a setembro de 2018 as exportações totais de manga somaram US$ 93,43 milhões. Dos 93 mil hectares plantados em 2017, 35.630 hectares produzem manga”, informa Eduardo Brandão, da Abrafrutas, que cita uma curiosidade: de acordo com o pacto firmado entre o Brasil e os Estados Unidos, todos os packing houses [casas de embalagem] do Vale têm a presença de um técnico americano para assegurar o uso correto da técnica. “Quem não tem packing house aluga essa estrutura e paga pelo serviço do técnico americano. É um investimento alto, mas o valor pago pelos Estados Unidos, que é o maior consumidor da manga nacional, compensa”, afirma.

 

Novos mercados

Segundo o presidente da biofábrica Moscamed Brasil, Jair Fernandes Virgínio, o tratamento hidrotérmico foi fundamental para que os frutos de manga alcançassem o nível de qualidade necessário para embarcar mundo afora e abrir novos mercados. “Foi um grande desafio posto. Além de matar os ovos e as larvas, o protocolo não poderia comprometer a qualidade dos frutos e o shelf life, que é o tempo de prateleira. A estratégia também levou em conta o risco de infestação para o país importador. Outra grande preocupação foi descobrir a temperatura adequada de acordo com o tamanho do fruto”, lembra.

Organização social reconhecida pelo Mapa e pelo Governo da Bahia, a Moscamed é a única responsável pela certificação, em todo o Brasil, para quem exporta manga para os Estados Unidos produzidas em pomares com algum grau de infestação de moscas-das-frutas. Na região do Vale do São Francisco, a empresa monitora semanalmente 5.339 hectares de manga com potencial para exportação. A certificação é fornecida apenas aos pomares com índice Mosca-Armadilha-Dia (MAD) inferior a 1. “Um MAD acima de 0,5 é um gatilho e a propriedade precisa usar medidas de controle”, declara Jair Virgínio.

Solução para mercados exigentes

O diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), o engenheiro-agrônomo José Eduardo Brandão Costa, ratifica a importância do tratamento. “Ele foi a solução encontrada pelo setor para entrar em mercados exigentes como o americano. O maior receio deles era que, nos oito a dez dias de transporte até lá, houvesse a possibilidade de que os frutos levassem os ovos ou as larvas da mosca”, relata.

Endossado pelos produtores, o tratamento ganhou importância, em especial pela rentabilidade. Frederico Costa, diretor comercial da Ibacem Agrícola, localizada em Curaçá, na região norte da Bahia, fala sobre a contribuição da Embrapa na pesquisa que culminou com o protocolo. “Sem ele não seria possível exportar manga para Estados Unidos, Japão, Chile e Argentina, que são mercados que exigem o tratamento hidrotérmico, desenvolvido em parceria com os produtores exportadores com interesse nesses mercados”.

Empregando 900 colaboradores durante o pico da safra, a Ibacem Agrícola exporta, anualmente, cerca de 1,5 milhão de caixas de manga da variedade Tommy Atkins para os Estados Unidos. “Indiscutivelmente, a Moscamed presta um serviço extraordinário no Vale do São Francisco, fazendo o monitoramento técnico-científico e recomendando os tratamentos que são necessários a campo, de maneira que sejam minimizados os problemas dos produtores exportadores. Nada pode ser feito de forma empírica em uma atividade como a nossa, com o nível de exigência do mercado de frutas. É muito importante a união dos produtores, em sintonia com a Moscamed, para que o combate à mosca-das-frutas seja sistêmico, permanente, e não de forma eventual”, afirma Frederico Costa.

Segundo Tássio Lustoza Silva Gomes, gerente executivo da Valexport, associação criada em 1988 que reúne cerca 70% dos produtores exportadores da região em seu quadro de associados, a região tem 40 exportadores de manga, mas apenas dez utilizam packing houses com estrutura para o tratamento hidrotérmico nos municípios de Petrolina (PE), Juazeiro e Casa Nova (BA). “No pico da safra, são 11 inspetores americanos acompanhando todo o processo. As regras são bem parecidas para Estados Unidos, Japão, Argentina e Chile, porém, temos algumas distinções técnicas quanto ao uso de sensores no ato da realização do hidrotérmico, como também para alguns países se faz necessário o monitoramento da mosca-da-fruta”, declara.

Quatro empregos diretos por hectare

Os dados da Valexport indicam que, em média, cada propriedade que cultiva manga na região gera quatro empregos diretos por hectare irrigado somente com a exportação. No pico da safra, nos 6 mil hectares destinados à exportação, o número total de empregos diretos chega a 24 mil e os indiretos, a aproximadamente 30 mil.

Os Estados Unidos são o principal consumidor individual de mangas do Brasil, com uma particularidade: “O país fica atrás somente da Alemanha, que não é o consumidor final das frutas enviadas para lá, servindo como um hub [central de distribuição] para os demais países da Europa”, salienta Tássio Gomes.

“Sabemos que o mercado da África do Sul tem muito potencial, porém ainda é cedo para falarmos em volume anual de exportação. Até o momento são quatro empresas credenciadas e a Abrafrutas está trabalhando para aumentar esse número. A primeira remessa foi enviada pela empresa Argofruta”, conta Eduardo Brandão.

No fim de 2017, a manga nordestina chegou aos consumidores da Coréia do Sul, um dos mercados mais exigentes do mundo em relação à sanidade e à qualidade dos alimentos. Pelo acordo bilateral, a contrapartida brasileira é importar peras frescas do país asiático.

Levando em consideração as etapas de geração e transferência entre os anos de 1987 e 2003, o investimento total na tecnologia foi estimado pela Embrapa em R$ 2,4 milhões.

O tratamento hidrotérmico

Desenvolvido em conformidade com o acordo bilateral nos campos sanitário e fitossanitário entre o Brasil, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e os Estados Unidos, representado pelo Departamento de Agricultura daquele país (USDA), o trabalho resultou na tese de doutorado do pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) Antonio Souza do Nascimento, intitulada “Aspectos bioecológicos e tratamento pós-colheita de moscas-das-frutas em manga”, pela Universidade São Paulo (USP).

A pesquisa definiu a combinação de duas técnicas no controle das moscas-das-frutas: o monitoramento populacional e o tratamento hidrotérmico. No campo, o monitoramento das moscas-das-frutas antes da colheita determina o nível populacional de insetos existentes nos pomares. Se necessário, deve-se utilizar o controle cultural (medidas que podem afetar a disponibilidade de alimento ao inseto e reduzir a incidência da praga) e a aplicação de iscas atrativas com produtos orgânicos. “O ideal é que a manga chegue no packing house com o mínimo de infestação da praga, seja em forma de ovos ou de larvas”, explica Antonio Nascimento.

Na casa de embalagem, os frutos são submetidos ao tratamento hidrotérmico. “Essa tecnologia era utilizada em outros países, como o México, mas não contemplava as espécies de importância quarentenária, que são a Ceratitis capitata, Anastrepha oblique e A. fraterculus”, conta Nascimento, que também é professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (URFB).

Os experimentos duraram três anos e totalizaram 1.800 testes. “Foram 200 para cada espécie de mosca, multiplicada por variedade de manga”, recorda Nascimento. “Havia a necessidade de sincronizar a criação e a idade das diferentes espécies de mosca-das-frutas e o grau de maturação das diferentes variedades de manga. Essas dificuldades foram amenizadas porque se contou com uma boa equipe de laboratório e o apoio financeiro e logístico da Valexport e de outros produtores de manga”, relembra.

 Léa Cunha (MTb 1.633/BA)
Embrapa Mandioca e Fruticultura

Analytical Chemistry Applied to Emerging Pollutants

Identificação de novos poluentes ambientais é essencial para se remediar efeitos adversos ao ambiente

Poluentes ambientais consistem em qualquer produto químico sintético ou natural, além de microrganismos, que não sejam comumente monitorados ou regulados no meio ambiente, e apresentam efeitos adversos à saúde humana e ao ecossistema. A grande parcela destes poluentes advém da atividade agropecuária, e de produtos que fazem uso de biomassa como sua base. De acordo com o pesquisador da Embrapa Agroenergia, Silvio Vaz Junior, estão incluídos nesta categoria de poluentes também produtos farmacêuticos e para cuidados pessoais, pesticidas, produtos industriais e domésticos, metais, surfactantes, aditivos industriais e solventes e os microplásticos.

Como muitos deles são usados e liberados continuamente no meio ambiente, em concentrações muito baixas, podendo causar toxicidade crônica, desregulação endócrina em seres humanos e animais, além do desenvolvimento de resistência a patógenos bacterianos, a pesquisa busca forma de se conhecer os poluentes emergentes. Uma vez identificado o principio ativo dos produtos oriundos da atividade agrícola pode-se buscar métodos e tecnologias para remediar seu efeito no ambiente ou mesmo usá-lo de forma eficaz para produção diversos bioprodutos. Por isso mesmo, no futuro, em um movimento das Organizações das Nações Unidas (ONU), o principio ativo de todo o produto químico deverá ser registrado. 

A Embrapa Agroenergia é um centro de pesquisa é dedicado a desenvolver soluções tecnológicas inovadoras no contexto da bioeconomia. Dentro deste escopo a unidade vem atuando na identificação de compostos e bioativos de biomassas vegetais e estirpes microbianas. Inserido neste trabalho encontra-se a linha de identificação de poluentes emergentes. O objetivo é caracteriza-los de de modo que estes possam ser aplicados na para a produção de novos produtos que utilizem estes em sua composição, ou que os produtos agropecuários possam ser desenvolvidos de modo a serem menos poluentes.

A linha de pesquisa é conduzida por Vaz Jr.. Dada a relevância do tema, recentemente o pesquisador organizou uma publicação inteiramente dedicada ao tema. O livro “Analytical Chemistry Applied to Emerging Pollutants”, apresenta as fontes e destino dessa nova classe de poluentes, bem como as principais ferramentas de análise química para mitigar o efeito alarmante de sua ação na natureza, uma vez que a maioria das tecnologias de tratamento disponíveis não consegue degradá-los. A publicação, descreve as matrizes ambientais representativas (ar, solo e água) e métodos analíticos apropriados para cada uma delas, além de examinar aspectos de toxicologia, quimiometria, preparação de amostras e química analítica verde. “O livro preenche uma lacuna na literatura e é um recurso valioso para todos os profissionais preocupados com o controle de poluentes emergente em situações reais”, enfatiza Vaz.

A obra está disponível na Editora Springer em e pode ser acessada por meio do link: https://www.springer.com/la/book/9783319744025

Conheça mais sobre as linhas de pesquisa da Embrapa Agroenergia, as soluções tecnológicas em desenvolvimento bem como as demãos publicações da unidade em: www.embrapa.br/agroenergia

Jornalista responsável
Daniela Collares (MTb 114/01)
Embrapa Agroenergia