Tecnologia

veículos elétricos

Baterias e supercapacitores são tecnologias de armazenamento de energia complementares. As baterias são mais apropriadas quando se considera a quantidade total de energia armazenada, e os supercapacitores, quando o que importa é a potência, isto é, quanta carga ou descarga de energia pode ocorrer por unidade de tempo.

Considerando essa complementaridade, a Divisão para Armazenamento de Energia Avançado do Center for Innovation New Energies (CINE) – um Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) constituído pela FAPESP e Shell, com sede na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) –, vem trabalhando nas duas frentes, buscando melhorar as tecnologias: de supercapacitores que armazenem mais energia a baterias que recarreguem mais rapidamente e tenham vida mais longa.

COVID Verificado

Projeto busca combater onda de desinformação sobre a pandemia da COVID-19 por meio da plataforma COVID Verificado, que faz a checagem científica de informações relacionadas ao novo coronavírus.

A iniciativa é de um grupo de alunos de mestrado e doutorado do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).

Agrotins 2020

De 27 a 29 de maio, a Embrapa Mandioca e Fruticultura, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, participa da 20ª Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins), considerada a maior feira agropecuária do Norte do País e uma das maiores do segmento. 

Denominada este ano como Agrotins Virtual, em função da pandemia do novo coronavírus, o evento inova ao ser transmitido, pela primeira vez, via internet, na página www.agrotins.to.gov.br

A programação da Embrapa Mandioca e Fruticultura na Agrotins vai abranger palestras gravadas e ao vivo (webinars), vídeos, podcasts e programas de rádio que vão apresentar cinco tecnologias adequadas ao bioma cerrado, além de promover o lançamento da publicação “Processamento de aipim e de mandioca-brava”. 

As palestras foram gravadas por Aristoteles Matos (seccionamento do talo de abacaxi e Produção Integrada de Abacaxi), Davi Junghans (abacaxi BRS Imperial), Fernando Haddad (banana BRS Princesa), Herminio Rocha (Reniva – inovação tecnológica e de negócios para produção de material propagativo de mandioca em escala empresarial) e Helton Fleck (agentes e papéis nos arranjos da Rede Reniva).

Os temas que fazem parte da programação ao vivo, permitindo ao público interagir com os palestrantes, são: Reniva, Produção Integrada do Abacaxi no Tocantins e seccionamento do talo de mudas de abacaxi, BRS Imperial e BRS Princesa.
 
Tecnologias
Todas as informações sobre as tecnologias, como publicações, podcasts e os programas de rádio Prosa Rural e Dia de Campo na TV, vão estar disponíveis na Vitrine Tecnológica da Embrapa: https://www.embrapa.br/agrotins-2020

Reniva – A Rede de multiplicação e transferência de materiais propagativos de mandioca com qualidade genética e fitossanitária é uma articulação de diferentes atores da cadeia produtiva da mandioca com os objetivos de produzir, em escala comercial, manivas-semente com elevado padrão genético e qualidade fitossanitária e de permitir a disponibilidade de material em períodos de escassez. Emprega processos de clonagem de cultivares registradas e de materiais crioulos, com comprovada sanidade.

Abacaxi BRS Imperial – resistente à fusariose, causada pelo fungo Fusarium guttiforme e principal doença que ataca a cultura do abacaxi, que pode levar a perdas superiores a 80% na produção de frutos. O abacaxi BRS Imperial não possui espinhos nas folhas, produz frutos menores que os do tradicional Pérola, com casca espessa, polpa firme, elevado teor de açúcares e excelente sabor.

Práticas de cultivo para a cultura do abacaxi no Estado do Tocantins – O objetivo é orientar o cultivo sustentável do abacaxi, para produzir frutos de qualidade, com custo de produção inferior aos dos cultivos convencionais e de acordo com os padrões atuais de exigência do consumidor. O trabalho é resultado de atividades de pesquisa da Embrapa em parceria com a Seagro e secretarias municipais e apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), associações, cooperativas e produtores.

Banana BRS Princesa – A banana tipo Maçã tem alta suscetibilidade à murcha de Fusarium, doença causada pelo fungo Fusarium oxysporum f.sp. cubense, que provoca perdas de 100% da produção e ainda permanece no solo por décadas. Resistente à murcha de Fusarium, a bananeira BRS Princesa tem porte médio a alto e características de tamanho, formato e gosto muito similares aos da Maçã.

Publicação
De autoria de Luciana Alves de Oliveira, Joselito da Silva Motta, Jaciene Lopes de Jesus, Fabiana Fumi Cerqueira Sasaki e Eliseth de Souza Viana, a cartilha “Processamento de aipim e de mandioca” traz todas as etapas de elaboração de produtos à base de mandioca – colheita, pós-colheita, boas práticas de fabricação, embalagem e rotulagem.

A mandioca-mansa (aipim ou macaxeira) é comercializada como vegetal fresco ou minimamente processada, refrigerada, congelada, pré-cozida (em pedaço ou forma de palito), na forma de purê, chips e bolinhos. Já a mandioca-brava é assim denominada devido ao maior teor de compostos cianogênicos na raiz, sendo utilizada como matéria-prima na produção de farinhas, beijus e tapiocas.

Léa Cunha (DRT-BA 1633)
Embrapa Mandioca e Fruticultura

fibra óptica

Uma fibra óptica feita de ágar foi produzida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O dispositivo é comestível, biocompatível e biodegradável. E poderá ser usado in vivo para imageamento de estruturas corporais, entrega localizada de luz para fototerapia ou optogenética [por exemplo, a estimulação de neurônios pela luz para estudo de circuitos neuronais] e entrega localizada de medicamentos. Outro uso possível seria a detecção de microrganismos em órgãos específicos – caso em que a sonda, depois de implantada e de atender ao objetivo, seria completamente absorvida pelo organismo.

A pesquisa, apoiada pela FAPESP, foi desenvolvida e liderada pelos professores Eric Fujiwara (Faculdade de Engenharia Mecânica, Unicamp) e Cristiano Cordeiro (Instituto de Física GlebWataghin, Unicamp), em colaboração com o professor Hiromasa Oku (Universidade de Gunma, Japão).

Artigo a respeito foi publicado pelos pesquisadores no periódico Scientific Reports, do Grupo Nature.

Ágar, também chamada de ágar-ágar, é uma gelatina natural extraída de algas marinhas. Sua composição consiste na mistura de dois polissacarídeos: agarose e agaropectina. “Nossa fibra óptica consiste em um cilindro de ágar, com diâmetro externo de 2,5 milímetros [mm], e um arranjo interno regular de seis orifícios cilíndricos de ar, com 0,5 mm de diâmetro cada um, circundando um núcleo sólido. A luz é confinada devido à diferença entre os índices de refração do núcleo de ágar e dos buracos de ar”, diz Fujiwara à Agência FAPESP.

“Para produzir a fibra, vertemos ágar de tipo alimentício em um molde, com seis hastes longitudinais dispostas simetricamente em torno do eixo principal. A gelatina se distribuiu pelo espaço disponível. Após o resfriamento, as hastes são removidas para formar orifícios de ar e o guia de ondas solidificado é liberado do molde. O índice de refração e a geometria da fibra podem ser adaptados, variando a composição da solução de ágar e o design do molde, respectivamente”, explica Fujiwara.

Os pesquisadores testaram a fibra em diferentes meios: ar, água, etanol e acetona. E verificaram que ela é sensível ao contexto. “O fato de a gelatina sofrer alterações estruturais sob variações de temperatura, umidade e pH torna a fibra adequada para fins de sensoriamento óptico”, afirma Fujiwara.

Outra aplicação promissora é o uso simultâneo da fibra como sensor óptico e meio de crescimento para microrganismos. “Nesse caso, o guia de ondas pode ser projetado como uma unidade de amostra descartável, contendo os nutrientes necessários. As células imobilizadas no dispositivo seriam sensoriadas opticamente e o sinal analisado por meio de câmera ou espectrômetro”, descreve o pesquisador.

O artigo Agarose-based structured optical fibre pode ser lido em www.nature.com/articles/s41598-020-64103-3.

José Tadeu Arantes
Agência FAPESP

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

fontes de informações on-line

A equipe da Rede de Bibliotecas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) organizou um guia com informações sobre diferentes fontes de informação e ferramentas que possuem acesso aberto ou são assinadas pela universidade.

O guia contém serviços realizados on-line, aulas, tutoriais, treinamentos e manuais, produzidos pelos profissionais da Rede da Unesp, além de outros disponíveis no Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Para facilitar a consulta, o guia foi dividido em duas partes. Na primeira é possível encontrar as fontes de pesquisa subdivididas pelos tipos documentais, como bibliotecas digitais e repositórios informacionais, livros, periódicos, teses e dissertações, trabalhos de conclusão de curso, bases de dados, normas técnicas e patentes.

Na segunda parte estão as ferramentas, produtos e demais serviços digitais. Ferramentas são todos os recursos informacionais que a Unesp assina para apoiar o desenvolvimento das pesquisas, seja para detecção de plágio, criar o plano de gestão de dados ou auxiliar na normalização de referências bibliográficas.

O guia produzido pela Rede de Bibliotecas da Unesp pode ser acessado em https://docs.google.com/document/d/1iUgnyimZltpzke_Tp_jucCiJsjaTelEEs70LNL5wluo/edit

Mais informações em: https://bit.ly/2zpzTOt.

Agência FAPESP

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

soja

Durante a Agrotins, a feira agrotecnológica do Tocantins, a ser realizada nos dias 27, 28 e 29 de maio, em formato digital, os pesquisadores da Embrapa Soja irão fazer apresentações, em vídeo, sobre algumas das tecnologias que estão impactando positivamente os sistemas de produção com soja, no Estado. “Alguns exemplos são a coinoculação, cobertura do solo com forrageiras, a integração lavoura pecuária e técnicas de formação de perfil do solo”, diz o pesquisador Leonardo José Motta Campos. “Vamos mostrar como estas técnicas vêm sendo usadas e como podem trazer benefícios para os produtores de Tocantins”, destaca o pesquisador da Embrapa Soja.

Manejo de solo com foco no nematoide Pratylenchus - O pesquisador Henrique Debiasi irá mostrar como o manejo do solo é estratégico no controle de Pratylenchus brachyurus, o principal nematoide que ocasiona danos na soja em Tocantins. Segundo ele, os prejuízos com esta praga podem reduzir a produtividade da soja em aproximadamente 50%. Os danos são maiores em solos arenosos, de baixa fertilidade, e em regiões quentes. “Pretendemos mostrar aos produtores que grande parte dos danos podem ser minimizados com o adequado manejo do solo”, ressalta. 

Debiasie explica que recentemente, a Embrapa confirmou que a acidez do solo tem papel preponderante sobre os danos ocasionados pelo pratylenchus. Quanto mais ácido - o que significa teores de alumínio altos e baixos teores de cálcio e magnésio, assim como pH muito baixo - pior é o crescimento radicular da soja e maior o dano ocasionado na raiz. “Também descobrimos que existe relação entre a acidez do solo e o aumento na população de nematoide”, revela Debiasi.

Em experimentos, o pesquisador diz ter sido possível reduzir em 50% a população do pratylenchus, a partir da melhoria da acidez do solo com a calagem. “Também observamos que em solos arenosos, onde foi aplicado gesso, nas doses recomendadas pela pesquisa, a soja formou mais raízes e tolerou mais os danos provocados pelo nematoide”, observa.

Além disso, Debiasi explica que as áreas com mais matéria orgânica também têm dano reduzido, por possuírem melhor estrutura do solo e maior equilíbrio biológico. “O segredo para manejar o pratylenchus é melhorar a qualidade química, física e biológica do solo para que a planta produza mais raízes e o solo consiga armazenar mais água e, assim, a planta tolere mais os danos provocados pela praga”, ressalta.

O pesquisador pretende mostrar ainda que o manejo adequado do solo deve priorizar a rotação ou sucessão da soja com espécies de cobertura que não sejam hospedeiras do nematoide. “No caso do pratylenchus, temos crotalárias ((spectabilis e, em menor grau, ochroleuca) como boas opções, além de algumas cultivares/híbridos de milheto e sorgo, que têm fator de reprodução baixo. São opções para reduzir a população do nematóide e minimizar os prejuízos”.

Inoculação de pastagens com Azospirillum - Outro tema que será abordado durante a Agrotins é a Inoculação de pastagens com Azospirillum. Estima-se que o Brasil tenha cerca de 180 milhões de hectares ocupados por pastagens, a grande maioria com braquiárias. Desse total, cerca de 70% encontram-se em algum estágio de degradação. A recuperação de áreas com pastagens degradadas de braquiárias, usando a combinação de fertilizante nitrogenado e Azospirillum pode trazer, com baixo custo para o agricultor, um grande impacto na agropecuária brasileira

O pesquisador Marco Antonio Nogueira vai abordar o  papel da  bactéria Azospirillum brasilense na promoção de crescimento de braquiárias. “Vamos destacar os mecanismos do azospirillum e como a bactéria promove o crescimento das raízes, melhorando assim a performance da planta para absorver água e nutrientes. Desta forma, consegue crescer melhor e tolerar situações adversas moderadas como falta de água”, explica Nogueira. 

Pesquisas da Embrapa Soja comprovam que a adoção da inoculação das braquiárias com azospirillum proporciona um aumento médio de 15% na produção de biomassa da parte aérea e aumento no teor de proteínas em 10%, o que significa oferta de proteína na ordem de 25% a mais. “Esses microrganismos ajudam a pastagem a absorver melhor os nutrientes do solo e, inclusive, o nitrogênio que é fornecido à braquiária pelo fertilizante nitrogenado, aumentando sua eficiência. Isso é mais vantajoso econômica e ambientalmente”, diz o pesquisador

Nogueira irá abordar ainda os benefícios que ficam no solo, a exemplo das raízes da braquiária, que funcionam como um dreno de carbono para o solo e ainda o enriquece com matéria orgânica. “Isso torna o solo mais fértil no longo prazo e acaba beneficiando o sistema como um todo: a soja que vem depois da braquiária consegue ter melhor desempenho que a soja que vem depois de pousio, por exemplo. As raízes da braquiária melhoram o solo física, química e biologicamente, o que ajuda muito no desenvolvimento das culturas que vêm depois”, diz Nogueira.

Veja mais sobre a participação da Embrapa: Com a participação de 22 de suas unidades de pesquisa, a Embrapa mostra, na Agrotins 2020, resultados de suas pesquisas e de seus trabalhos com várias cadeias produtivas relacionadas à agropecuária brasileira. São diferentes formatos de participação: entre eles, haverá 19 participações na programação ao vivo e o lançamento de três tecnologias voltadas para a região do Tocantins e do Matopiba, área que engloba partes dos estados do Maranhão, do Tocantins, do Piauí e da Bahia.

Lebna Landgraf (MTb 2903/PR)
Embrapa Soja

ventilador pulmonar

Um grupo de pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) desenvolveu um ventilador pulmonar cerca de 15 vezes mais barato do que os tradicionais. O aparelho, que recebeu o nome Inspire, tem licença aberta de fabricação, ou seja, pode ser produzido sem pagamento de royalties para os inventores. Entretanto, a distribuição da tecnologia é controlada, por se tratar de equipamento de suporte à vida.

O lote piloto, para atender estudos clínicos, será montado pela Marinha do Brasil. Vinte empresas estão interessadas em fabricar o equipamento, que já passou por testes com animais e humanos. Ventiladores pulmonares são essenciais no tratamento de pacientes com síndrome respiratória aguda, um dos desdobramentos mais graves da COVID-19.

“É um aparelho de emergência, para ser usado na falta de ventiladores de UTI [unidade de terapia intensiva], que são mais monitorados. Mas ele tem as funcionalidades de que um paciente grave precisa e a vantagem de não depender de uma linha de ar comprimido, como os outros, apenas de uma tomada de energia elétrica e da linha de oxigênio [O2] do hospital, ou mesmo de O2 engarrafado”, explica Raul Gonzalez Lima, professor da Poli-USP e coordenador do projeto.

Lima trabalha há cerca de 20 anos, com apoio da FAPESP, no desenvolvimento de tecnologias de tomografia por impedância elétrica, que possibilitam monitorar e otimizar a ventilação artificial em pacientes em tratamento intensivo. Com o monitoramento, busca-se minimizar os efeitos colaterais e diminuir o tempo de dependência da ventilação mecânica.

Do seu grupo saíram alguns dos pesquisadores que criaram a empresa Timpel, que fornece tomógrafos para hospitais do Brasil e do exterior e que teve apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP (leia mais em: agencia.fapesp.br/32911/).

O Inspire segue um modelo livre de patente e requer insumos de fácil acesso no Brasil. Cada ventilador pode ser fabricado em até duas horas, a um custo de R$ 1 mil, enquanto os ventiladores convencionais custam em média R$ 15 mil. Colabora ainda no projeto Marcelo Knorich Zuffo, professor da EP-USP.

Colaborações

Para realizar os diferentes testes necessários para o desenvolvimento e aprovação do produto, Lima e Zuffo contaram com a colaboração de professores da própria Escola Politécnica, da Faculdade de Medicina (FM) e da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), todas da USP.

Para conhecer as vazões e as concentrações de oxigênio que o equipamento pode oferecer aos pacientes, nas diferentes frequências que simulam a respiração pelo pulmão humano, o grupo utilizou um analisador de gases e um medidor de vazão de gases, presentes no Laboratório de Diagnóstico Avançado de Combustão do Centro de Pesquisa para Inovação em Gás (RCGI), um Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE) constituído pela FAPESP e pela Shell.

O laboratório é coordenado pelo professor Guenther Carlos Krieger Filho, da Poli-USP.

“Esse tipo de equipamento precisa entregar para o pulmão do paciente uma mistura de ar com oxigênio. Fizemos então um teste para ver a relação entre tempo de abertura da linha de oxigênio e a porcentagem de oxigênio misturado no ar”, explicou Lima.

O instrumento do RCGI, porém, por ser desenvolvido para medir a queima de combustíveis, só mede até 30% de oxigênio presente no ar. Como os ventiladores devem entregar uma porcentagem maior, mais próxima de 100%, os pesquisadores fizeram um cálculo indireto, medindo os outros gases e inferindo a quantidade de oxigênio, que se mostrou adequada.

Testes com animais foram realizados sob coordenação das professoras Denise Tabacchi Fantoni e Aline Ambrósio, ambas da FMVZ-USP.

Os ensaios foram realizados no Laboratório de Anestesiologia (LIM08) da FM-USP, coordenados por José Otávio Costa Auler Junior, em colaboração com Denise Aya Otsuki, ambos professores da instituição.

Os primeiros estudos com humanos também foram coordenados por Auler Junior, em quatro pacientes atendidos no Instituto do Coração (InCor) da FM-USP. Colaboraram ainda a professora Filomena Regina Barbosa Gomes Galas , que também é supervisora da UTI Cirúrgica do InCor, a enfermeira Suely Pereira Zeferino e o fisioterapeuta Alcino Costa Leme, pesquisadores na mesma instituição. Não houve intercorrências com os pacientes ventilados com o Inspire.

Agora, o grupo prepara um novo teste clínico, com um número maior de pacientes. Este deve ser um dos últimos passos antes de o aparelho seja autorizado para montagem pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

André Julião*
Agência FAPESP
* Com informações da Assessoria de Comunicação da Escola Politécnica da USP

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Sistema baseado em internet

Um sistema baseado em internet das coisas desenvolvido pela startup paulista Biologix para diagnosticar e monitorar apneia do sono em ambiente domiciliar pode ajudar a acompanhar remotamente pacientes com suspeita ou com sintomas brandos de COVID-19 e encaminhá-los a um hospital caso registre piora nos sinais clínicos.

Viabilizada por meio de um projeto apoiado pelo Programa PIPE/PAPPE Subvenção, a tecnologia será testada por dois hospitais privados em São Paulo.

“Hoje há vários aplicativos voltados a monitorar pacientes com suspeita ou sintomas brandos de COVID-19, mas baseados em respostas subjetivas do próprio paciente, e não no monitoramento de sinais clínicos como o sistema que desenvolvemos permite fazer”, diz ao Agência FAPESP Tácito Mistrorigo de Almeida, CEO da Biologix.

O sistema é composto por um sensor portátil e sem fio. Ao ser colocado na ponta do dedo indicador, o dispositivo capta os dados de saturação de oxigênio e a frequência cardíaca do paciente.

Os dados são coletados em tempo real por um aplicativo de celular gratuito, disponível nas plataformas Android e IOS. O programa envia as informações para a nuvem e automaticamente para o painel de controle da equipe médica que está monitorando o paciente.

Ao constatar por meio do sistema uma queda na saturação de oxigênio – que é um dos principais indicadores do agravamento do quadro de COVID-19 e que também ocorre na apneia, em que há paradas respiratórias associadas a queda do nível de oxigênio no sangue –, a equipe médica entra em contato com o paciente ou seu acompanhante.

Se além da queda na saturação de oxigênio e da frequência cardíaca o paciente ou seu acompanhante relatar febre, aumento da dificuldade para respirar, tosse e fadiga – que são os principais sintomas da infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2 –, são orientados a seguir rapidamente para um hospital.

“O sistema possibilita encaminhar os pacientes ao hospital no momento correto e, dessa forma, diminuir os riscos de contágio pela interação com outras pessoas e proteger principalmente os profissionais de saúde”, afirma Almeida.

Além de hospitais, a tecnologia pode ser utilizada por operadoras de saúde e convênios médicos para monitorar não só pacientes com suspeita de COVID-19 ou com sintomas leves, como também para acompanhar idosos e pessoas que integram os grupos de risco de gravidade da doença.

“O sistema pode ainda ser usado nos próprios hospitais, para monitorar os pacientes com menor gravidade em leitos de enfermaria e manter as unidades de terapia intensiva (UTIs) disponíveis para os casos mais críticos”, indica Almeida.

Capacidade de adaptação

A Biologix está incubada no Eretiz.bio, incubadora de startups na área da saúde do Hospital Israelita Albert Einstein, que tem em sua rede diversas empresas apoiadas pelo PIPE-FAPESP que estão desenvolvendo tecnologias voltadas a ajudar no diagnóstico, monitoramento e tratamento de pacientes com COVID-19.

Entre elas estão a Magnamed – que fornecerá 6,5 mil ventiladores pulmonares para o Ministério da Saúde – e a Hoobox, que desenvolveu em parceria com a Radsquare um sistema de detecção de febre a distância.

O PIPE/PAPPE Subvenção reúne recursos dos programas Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP, e de Apoio à Pesquisa em Empresas (PAPPE), da Empresa Brasileira de Inovação e Pesquisa (Finep), para a inserção de um produto inovador no mercado.

“Esse ecossistema de startups na área da saúde tem sido muito ágil e demonstrado ter capacidade de se reconfigurar rapidamente para criar soluções para combater a COVID-19. Isso tem facilitado muito o desenvolvimento de tecnologias voltadas a fazer a triagem de pacientes que necessitam de atendimento mais urgente”, avalia José Cláudio Cyrineu Terra, diretor de inovação do Hospital Albert Einstein.

Elton Alisson
Agência FAPESP

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

revestimento cerâmico nanométrico

 A nChemi Engenharia de Materiais, empresa apoiada pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), desenvolveu tecnologia de revestimento cerâmico nanométrico que aumenta a dureza superficial das brocas e fresas cirúrgicas em 90% e diminui o atrito em 50%.

A empresa é uma spin-off do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP.

A tecnologia utiliza um filme fino nanométrico de zircônia aderido à superfície do aço inox que promove o aumento da durabilidade e a diminuição da temperatura de trabalho de brocas e fresas cirúrgicas.

O resultado é a redução da necrose do tecido/osso e, consequentemente, uma recuperação pós-cirúrgica mais rápida e menos traumática. De acordo com Bruno Ramos de Lima, diretor da empresa, o revestimento teve testado seu uso médico e foi também aprovado por um fabricante de instrumentos cirúrgicos e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicação em brocas. O lançamento comercial está previsto para o segundo semestre deste ano.

A tecnologia denominada Plenus Med é aplicada em instrumentos de qualquer tamanho e forma, sem a necessidade de modificações ou tratamentos prévios, além de manter a afiação das peças por mais tempo, garantindo a estabilidade e a confiança durante a cirurgia.

A espessura final do revestimento é menor que 0,2 micrômetro e não há perdas em relação à afiação dos instrumentos, o que o torna superior ao revestimento DLC (diamond like carbon) ou diamantação, já utilizado em instrumentos cirúrgicos.

Agência FAPESP* 
*Com informações da Assessoria de Comunicação do CDMF

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Dopado com carbono e magnésio

A exposição à radiação ultravioleta (UV) é fator de risco para o câncer de pele e outras enfermidades. O problema se agrava quando à fonte natural de UV, a luz solar, se acrescentam fontes artificiais, como lâmpadas para terapia médica e outros artefatos. Detectar e medir a radiação UV em diferentes ambientes foram objetivos que motivaram uma pesquisa conduzida no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), realizada em colaboração com o Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP).

O estudo investigou a sensibilidade à radiação ultravioleta do óxido de alumínio dopado com carbono e magnésio (Al2O3: C, Mg) resultou no artigo "Thermoluminescence of UV-irradiated α-Al2O3:C,Mg", publicado no Journal of Luminescence.

“O óxido de alumínio dopado apenas com carbono (Al2O3: C) já era bem conhecido por sua alta sensibilidade a vários tipos de radiação: raios X, beta e gama. É usado na dosimetria de radiação ionizante pessoal e ambiental. O que nós descobrimos é que o material passa a responder também à radiação UV quando dopado com magnésio além do carbono”, disse o professor Neilo Marcos Trindade, primeiro autor do artigo.

A resposta a que o pesquisador se refere é a termoluminescência – isto é, a emissão de luz depois que o material, previamente exposto à radiação, é aquecido. “A dopagem com o magnésio promove uma grande quantidade de defeitos no cristal. E isso possibilita uma resposta ainda maior do material para radiação ionizante e não ionizante, como a UV”, explica Trindade.

A investigação foi conduzida por Trindade e dois estudantes de graduação, Maicon Gois Magalhães e Matheus Cavalcanti dos Santos Nunes, com a colaboração da professora Elisabeth Mateus Yoshimura do IF-USP e do professor Luiz Gustavo Jacobsohn, da Clemson University, dos Estados Unidos. Recebeu apoio da FAPESP por meio de Auxílio à Pesquisa Regular concedido a Trindade, de Bolsa de Iniciação Científica concedida a Magalhães e de Bolsa de Iniciação Científica para Nunes.

Outros achados

Além dessa descoberta principal, que possibilita usar o cristal na detecção de ultravioleta, o pesquisador e seus alunos obtiveram mais duas informações importantes. A primeira foi que a resposta do material à radiação UV é análoga à sua resposta à radiação beta. Isso significa que muitas mensurações de beta realizadas até agora podem ter sido afetadas pela interferência de UV.

A segunda, que permite que esse problema possa ser solucionado em dispositivos futuros, foi que o padrão de variação das duas respostas não é o mesmo. O material responde a beta de forma linear – isto é, sua luminescência cresce incrementalmente com o aumento da exposição à radiação ionizante, em curva contínua. Já no caso de UV, a variação da luminescência não apresenta linearidade. “Há um ponto de saturação a partir do qual a luminescência deixa de se intensificar com o acréscimo de exposição”, diz Trindade.

O artigo Thermoluminescence of UV-irradiated α-Al2O3:C,Mg pode ser acessado em https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0022231319321775.

 

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

CheckCorona

O doutorando Murilo Gazzola, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, criou uma tecnologia para ajudar a combater o novo coronavírus, que poderá ser utilizada no aplicativo de mensagens WhatsApp: o CheckCorona.

Os interessados devem adicionar o número (16) 98112-8986 no WhatsApp, escrever CheckCorona e enviar a mensagem. Automaticamente, o robô criado por Murilo responde à solicitação e envia instruções para ajudar o usuário a identificar quais medidas deve tomar.

“Trata-se de um robô programado para fazer perguntas simples e realizar uma espécie de primeiro atendimento por meio do aplicativo de mensagens”, explica Gazzola em entrevista para a Assessoria de Comunicação do ICMC-USP.

O projeto está entre as 71 ideias selecionadas no Desafio COVID-19, iniciativa do Ministério Público de Pernambuco e da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco.

Segundo Gazzola, o robô foi criado a partir das normas internacionais do Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças para ajudar as pessoas a tomar as melhores decisões, evitando pânico desnecessário e tranquilizando pacientes que não estão com sintomas claros da doença. Em caso de um resultado afirmativo, a ferramenta orienta a pessoa aos próximos passos, como isolamento e quando buscar por tratamento e testes laboratoriais.

* Com informações da Assessoria de Comunicação do ICMC.

Agência FAPESP *

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.