Nucleos de celulas humanas

Relatório da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NAS, na sigla em inglês), divulgado na última semana, sugere que, no futuro, a edição genética de gametas – ou mesmo de embriões humanos, nos estágios iniciais de gestação – deverá ser autorizada para sanar doenças hereditárias como hemofilia ou anemia falciforme. O processo de edição pode envolver a remoção, acréscimo ou substituição de trechos do material genético que virá a produzir o bebê. Tecnologias recentes, como o chamado método CRISPR/Cas9, tornaram a edição genética muito mais simples e precisa do que era até a poucos anos atrás.

Experimentos envolvendo a modificação genética de embriões humanos já foram descritos na Suécia e na China, mas não há notícia de que se tenha permitido que um embrião alterado viesse a se desenvolver numa criança. Os pesquisadores chineses, especificamente, só têm utilizado embriões inviáveis. Há várias questões éticas envolvidas no eventual nascimento de uma criança com DNA editado. Uma delas é a de que a alteração será hereditária, podendo se espelhar por toda a população com o passar das gerações.

Nota emitida pela NAS lembra que a edição genética hereditária ainda não está madura para ser testada em humanos, mas ressalva que “a tecnologia avança rapidamente” e que a “e edição hereditária de embriões, óvulos, esperma ou células precursoras no futuro próximo” é uma possibilidade real.  O órgão lembra ainda que, no ambiente regulatório atual, o procedimento seria ilegal nos EUA, e é vetado por tratados internacionais.

Carlos Orsi
Jornal Da Unicamp

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